Cidade que negou propina em ouro a pastor ainda espera verba de creche

Prefeito de Luís Domingues, no Maranhão, confirmou ter recebido pedido de propina em barra de ouro do pastor Arilton Moura

atualizado 23/06/2022 12:26

ministerio da educacaoMarcelo Camargo/Agência Brasil

A prefeitura de Luís Domingues, cidade de 7 mil habitantes no interior do Maranhão, espera há mais de um ano por resposta do Ministério da Educação a uma solicitação de verbas federais para a construção de duas creches. A demanda se tornou célebre porque o prefeito da cidade, Gilberto Braga, confirmou em depoimento à Comissão de Educação do Senado ter recebido um pedido de propina em barra de ouro do pastor Arilton Moura.

Arilton é um dos presos na operação Acesso Pago, da Polícia Federal, na última quarta-feira (23/4).

O prefeito depôs no Senado em abril deste ano e relatou ter viajado a Brasília em 7 de abril do ano passado para tratar da destinação de verbas do MEC para o município maranhense. Ele disse ter participado de palestra com o pastor de depois de um almoço, junto a mais 20 prefeitos, no qual teria ouvido o pedido de propina.

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“O pastor Arilton Moura convidou todos os prefeitos para um almoço em um restaurante e disse que seria por conta dele. Foi quando o pastor Arilton virou para mim e quis saber minhas demandas; apresentei para ele e ele me disse: ‘Você vai me arrumar os R$ 15 mil para mim [sic] protocolar as suas demandas e, depois que o recurso já estiver empenhado, você, como sua região é de mineração, vai me trazer 1 kg de ouro'”, disse o prefeito Gilberto Braga aos senadores.

Veja:

O advogado Abdon Marinho, que representa o prefeito de Luís Domingues, disse ao Metrópoles nesta quinta-feira (23/6) que nenhuma propina foi paga e que o município ainda não recebeu verbas nem resposta.

“Para falar a verdade, o prefeito sequer levou a sério esse pedido por ouro. Considerou uma espécie de piada”, disse o advogado. “E essa verba para as creches, o processo está lá no MEC. O prefeito ainda espera”, completou Marinho.

Lar de brasileiros com pouca renda em sua maioria, a cidade de Luís Domingues conta com parca infraestrutura de serviços públicos e abriga, em sua zona rural, dezenas de lavras ilegais de garimpo de ouro, o que teria motivado o pedido específico do pastor acusado de lobby criminoso.

Operação da PF

O pastor Arilton Moura foi preso na mesma operação que teve como alvos o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e o também pastor Gilmar Santos. Moura é pivô da investigação, pois teria feito um depósito de R$ 60 mil na conta de Ribeiro, que a defesa do ex-ministro explica como fruto a venda de um carro da esposa dele para a filha do pastor.

Os presos durante a Operação Acesso Pago passarão por audiência de custódia nesta quinta-feira (23/6). O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, de São Paulo, e o pastor Arilton Moura, do Pará, vão falar virtualmente. Já o pastor Gilmar Santos participará presencialmente, na 15ª Vara da Justiça Federal, em Brasília.

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Esperando o MEC

O Metrópoles solicitou ao Ministério da Educação informações sobre a demanda da cidade de Luís Domingues por verbas para a construção de creches e ainda não recebeu nenhuma resposta. Se e quando o órgão se manifestar, a reportagem será atualizada.

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