Ciclone-bomba: Rio Grande do Sul compõe corredor dos tornados; entenda
Análises meteorológicas apontam o território gaúcho como a região mais afetada por tempestades severas no Brasil

A formação de um tornado no município Pedro Osório, interior do Rio Grande do Sul, nessa quinta-feira (6/8), marca a segunda semana seguida em que o estado é atingido por este fenômeno, impulsionado pelo ciclone-bomba. O redemoinho reforça análises meteorológicas que apontam o território gaúcho como o mais afetado por tempestades severas, temporais e fenômenos desta natureza no Brasil. Isso porque o estado integra o “corredor dos tornados”.
O ciclone-bomba, que ganha força no Atlântico Sul, é impulsionado por uma drástica queda na pressão atmosférica e traz uma combinação perigosa de temporais e rajadas de vento de até 132 km/h no estado.
Os eventos extremos causaram destelhamentos de casas em diversas regiões, além da morte de um motociclista de 33 anos, atingido por uma árvore na RS-124, no município de Montenegro.

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Ver todasA explicação para o Rio Grande do Sul liderar a ocorrência de eventos extremos entre os estados do Brasil está na posição geográfica. Uma parte do país se localiza no “corredor dos tornados”, área da América do Sul onde os fenômenos se formam.
“O ‘corredor de tornado’ fica na America do Sul, entre Uruguai, Paraguai e Argentina e parte do Brasil como um todo. Essas áreas têm latitudes médias mais altas e muita instabilidade no tempo, o que faz o encontro de massas de ar ser mais expressivo. O choque da massa de ar frio com ar quente favorece a instabilidade atmosférica e forma fenômenos nesta região”, explica Olívio Bahia, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Contraste térmico
O contraste térmico das massas faz o ar da superfície subir de forma intensa, criando uma zona de baixa pressão atmosférica e gerando um ciclone extratropical de intensidade moderada a forte. Esse processo é alimentado pelos chamados jatos de baixa altitude, ventos intensos que transportam o calor e a alta umidade da Amazônia, no norte, diretamente para o Sul do país.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO choque desse ar quente com a massa polar ocorre sobre o território gaúcho, próximo a Argentina. Em seguida, o ciclone ganha rotação e se desloca em direção ao Oceano Atlântico, na Foz do Rio da Prata ou na costa do Rio Grande do Sul, de onde passa a impulsionar o vento forte e o frio para o estado.
Segundo a meteorologista da MetSul, Estael Sias, o estado se torna a região do Brasil mais favorável para a ocorrência de fenômenos devido a este contraste térmico, que dá origem à formação destes eventos extremos.
“O motivo é justamente porque aqui nascem os fenômenos. O Rio Grande do Sul é o primeiro a ser atingido porque é nessa área de latitudes médias, entre o estado, o Uruguai e a Argentina, que se formam os ciclones. O corredor dos tornados tem uma frequência muito maior de nascimento desses sistemas. Basta ver a história da Argentina com granizo gigante, além do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que têm uma frequência de temporais muito maior do que os outros estados”, pontua.
A especialista ainda acrescenta que há estudos que comprovam que o território gaúcho é a segunda região do planeta mais difícil de prever o tempo, justamente porque tem “grande variabilidade de fenômenos”.
Tornado
Conforme a Climatempo, o tornado é gerado por uma supercélula, um tipo de tempestade com corrente ascendente giratória.
“Supercélulas comumente causam granizo de grande tamanho e rajadas de vento intensas, e em algumas ocasiões tornados”, explicou a Defesa Civil do RS. No total, oito cidades reportaram danos nessa quinta-feira
O primeiro tornado foi registrado no dia 28 de julho, no noroeste gaúcho, nos município de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho. A Defesa Civil Regional confirmou quatro feridos no total.









