
CEO da Quaest: pazes com Michelle e reação ao STF impulsionaram Flávio
Segundo Felipe Nunes, os fatores que vinham impulsionando Lula, como o Desenrola e a isenção do IR, ainda ajudam, mas perderam força

O crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) mostrado pela pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5/8), que encurtou a diferença em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi impulsionado por dois fatores principais: a reconciliação com a madrasta, Michelle Bolsonaro, e a reação do eleitorado à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de impedir Flávio de visitar o pai, Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar.
A conclusão é do cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest. Para ele, a recuperação do filho 01 de Bolsonaro, mesmo em percentuais ainda dentro da margem de erro, se deve a fatores que deram uma espécie de freio de mão na direita.
“Minha leitura é que a direita se reorganiza e o eleitor antipetista voltou a considerar Flávio”, avalia. “No 2º turno, Flávio sobe de 74% para 81% na direita não bolsonarista e de 91% para 95% entre bolsonaristas”, completa.

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Ver todasA pesquisa em números
- No cenário mais provável, Lula venceria por 44% a 39% no 2º turno
- Escolha de voto em Flávio é definitiva para 68% dos entrevistados, contra 62% em julho
- Na direita não bolsonarista, o candidato do PL recupera terreno e sobe de 74% para 81% na intenção de voto
- Para 59%, a reconciliação entre Flávio e Michelle foi positiva e eleva a chance de vitória do senador para 46%
- 52% consideram errada a decisão do STF de proibir visitas de Flávio a Jair Bolsonaro
- Percepção de melhora na renda com Desenrola e isenção de IR até R$ 5 mil é menor em relação a julho
- Reação de Lula ao tarifaço é mal avaliada por 43% (36% em julho)
Segundo a pesquisa, Lula tem 39% das intenções de voto em primeiro turno, e Flávio soma 30%. Em relação à pesquisa anterior, de julho, o petista perdeu um ponto percentual, enquanto o senador ganhou dois pontos.
No segundo turno, Lula também perdeu um ponto percentual, passando de 45% em julho para 44%. Flávio ganhou dois pontos percentuais: saiu de 37% para 39% das intenções de voto neste mês.
De acordo com o levantamento, o pedido de desculpas e as pazes feitas entre Flávio e Michelle, que reclamou publicamente de ter sido “humilhada e desrespeitada”, ajudam na recuperação do candidato: para 59%, as pazes foram positivas. Essa avaliação chega a 88% na direita não bolsonarista e a 90% entre bolsonaristas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesTambém aumentou a percepção de que Michelle pode ser decisiva para o desempenho de Flávio: 46% dizem que seu apoio eleva as chances de vitória do senador, contra 38% em julho. Entre bolsonaristas, o percentual salta de 45% para 79%; na outra direita, de 53% para 70%.
Reação ao STF
Na avaliação de Nunes, a segunda peça que impulsionou Flávio é a reação à decisão do STF que proibiu o senador de visitar o pai, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses em prisão domiciliar por ter comandado trama golpista.
Para 52%, a medida foi errada; 41% a consideram correta. A avaliação de que houve exagero chega a 83% na direita não bolsonarista, 92% entre bolsonaristas e 50% entre independentes.
“A reconciliação reduziu a divisão e a restrição judicial reativou a percepção de exagero institucional. Esse movimento explica melhor a recuperação do que a fala sobre urnas: essas declarações diminuem a chance de voto em Flávio para 26% e aumentam para 15%”, ressalta o CEO.
E Lula?
Ainda de acordo com Felipe Nunes, os fatores que vinham impulsionando Lula perderam força marginal: no Desenrola, a percepção de que o programa é uma boa ideia cai de 55% para 47%; o benefício direto recua de 12% para 10%.
A isenção do IR segue o mesmo caminho: 30% dizem ter sido beneficiados, contra 32% em julho. Entre eles, os que não sentiram diferença na renda sobem de 39% para 46%, enquanto os que sentiram aumento significativo caem de 24% para 21%.
“Os programas não deixaram de ajudar. O que parece ter diminuído é seu efeito marginal: o ganho político adicional que produzem ao longo do tempo. Tanto que a aprovação ficou estável em 48% e a desaprovação em 47%”, observa o cientista político.
Outro ponto que parece começar a cobrar um preço do petista é novo tarifaço de Trump. Em maio, 39% avaliavam bem e 36% mal a resposta de Lula. Agora, 43% dizem que o governo reagiu mal, e 38%, bem. O saldo passa de +3 para -5.
Fora da polarização entre Lula e Flávio, as alternativas ainda não cresceram no 1º turno, e os 10% de indecisos ainda buscam opção.



