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Celular salva fotógrafo de tiro em confronto na Cracolândia

Dario de Oliveira foi o único baleado, por pouco não foram dois feridos. O celular ficou destruído, ele passa bem

atualizado

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TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
CRACOLANDIA
1 de 1 CRACOLANDIA - Foto: TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO

Já era um começo de tarde tenso na Cracolândia, região central da capital, nesta quinta-feira (23/2) por causa de um confronto entre policiais e uma multidão, quando um grupo de fotógrafos começou a gritar em desespero. Uma poça de sangue estava no chão, em uma calçada da esquina da Alameda Barão de Piracicaba com a Rua Helvétia, e era possível ver um homem sendo carregado, socorrido pelos moradores de um hotel instalado ali, ilhados entre a troca de pedras e bombas feitas por policiais militares e os frequentadores do “fluxo”, a concentração de usuários de crack que caracteriza a região.

“Acertaram o fotógrafo”, “acertaram o fotógrafo”, gritavam os homens com câmeras na mão, andando a esmo enquanto o confronto ainda continuava. O homem sendo carregado era o fotógrafo Dario de Oliveira, da agência Código 19. Segundo a Santa Casa de Misericórdia, que o recebeu minutos depois, ele foi atingido por “disparo de arma de fogo” na perna. Foi atendido, passou por exames mas, até o fim da tarde, não tinha previsão de alta.

Oliveira foi o único baleado por causa da sorte de um de seus colegas. Eram para ser dois os feridos. Marcelo Chello, fotógrafo profissional que também registrava a ação, foi atingido na mesma hora que Oliveira. A diferença é que a bala que acertaria sua perna parou no celular, no bolso esquerdo de sua calça jeans. A peça de roupa ficou furada. O celular, destruído. Mas Chello estava bem.

“Deve ter ficado sim”, disse, ao ser questionado se a perna estava roxa. Ele ainda não tinha visto. Estava preocupado com a câmera, instrumento de trabalho, que parecia quebrada. E um tanto atônito. Pediu para dois colegas avisarem sua mulher que estava bem.

Chello contou que não sabia de onde havia vindo o disparo. Ele não sabia dizer se era do fluxo e suspeitava de um segurança que havia visto instantes antes. Afirmou não saber se poderia ser da PM, também, mas acreditava que não.

“A gente infelizmente está sujeito a esse tipo de coisa quando trabalha”, lamentou o fotógrafo, enquanto conversava com os colegas de TV, de rádio, de jornais e das agências de notícias nacionais e internacionais que estavam lá para relatar o conflito. Brincou ser estranho virar “personagem” – jargão jornalístico que descreve as pessoas entrevistadas durante uma matéria.

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