Celsinho da Vila Vintém é solto: “Procurar alguma coisa para fazer”
Traficante deixou cadeia nesta quarta-feira (19/10) no Rio de Janeiro e disse a jornalistas que não vai mais se envolver com o crime
atualizado
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O traficante Celsinho da Vila Vintém, conhecido como um dos principais responsáveis pelo tráfico de drogas no Rio de Janeiro nos anos 1990, deixou o Complexo de Gericinó, em Bangu, na zona oeste, nesta quarta-feira (19/10). Ao deixar o presídio, ele disse a jornalistas que tem problemas de saúde e não irá mais se envolver com o crime.
“[Vou] procurar alguma coisa para fazer, ficar tranquilo. Ficar tranquilo eu vou, não me envolvo com nada há muitos anos”, disse Celsinho, que estava preso desde 2002.
Fora da mídia atualmente, Celsinho foi um nome muito conhecido da criminalidade no Rio de Janeiro. Ele é um dos fundadores da facção Amigos dos Amigos (ADA), rival do Comando Vermelho (CV), cujo um dos líderes foi também um grande adversário de Celsinho, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
Celsinho é apontado como protagonista de fugas mirabolantes e estratégias diferenciadas de sobrevivência, como da vez em que fugiu de um hospital vestido de policial em 1998.
Também existe a suspeita de que ele tenha fingido se filiar ao CV em 2002 para não ser morto em uma rebelião do Complexo de Gericinó. Na ocasião, o líder da ADA, Ernaldo Pinto Medeiros, o Uê, foi morto.
Demora na soltura
O advogado de Celsinho, Max Marques, afirmou à Agência Brasil que o atraso na soltura de seu cliente aconteceu em função de problemas nos trâmites da consulta realizada ao Serviço de Arquivo (SARQ) da Polícia Interestadual (Polinter) para saber se o presidiário está na prisão em razão de outros processos judiciais.
A liberação ocorreu após uma decisão do juiz da Vara de Execuções Penais Marcello Rubioli, na segunda-feira (17/10), que analisou o único processo que mantinha Vintém preso.
Celsinho foi condenado a 15 anos de prisão em regime fechado por envolvimento na invasão da Favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, durante confronto entre facções rivais em 2017. Com a decisão, ele poderá recorrer da condenação em liberdade.
Na semana passada (11/10), uma decisão da 3ª Câmara Criminal revogou a prisão de Celsinho.
Uma denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apontou que os delegados envolvidos na investigação da invasão da Rocinha, Maurício Demétrio e Antônio Ricardo, tinham como objetivo incriminar Celsinho pela ocupação da favela para ajudar o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, mais conhecido como Nem da Rocinha, na disputa pelo controle do tráfico de drogas na comunidade.
O delegado responsável pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial da Polícia Civil Maurício Demétrio foi preso em junho em um condomínio de luxo na zona oeste do Rio, onde foram encontrados R$ 240 mil em espécie e três carros de luxo blindados.
Celsinho ficou preso no presídio federal de Porto Velho, em Rondônia, por outras condenações. Em 2017, ele foi transferido para a Penitenciária Laércio da Costa Pelegrino, Bangu I, no Complexo de Gericinó, após o vencimento do prazo de permanência no Norte do país.
