Caso Alice: facção planejou ataque que causou morte de criança no ES
O ataque a tiros que matou uma criança de 6 anos no ES foi planejado por uma facção, que pretendia atingir integrantes da organização rival
atualizado
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A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) concluiu o inquérito sobre o caso de Alice Rodrigues, criança de 6 anos que morreu baleada dentro de um carro, durante um conflito entre facções criminosas.
A corporação indiciou 14 criminosos, sendo nove presos e cinco foragidos, além de destacar que o ataque no local foi planejado por uma facção ligada ao Comando Vermelho.
Nesta terça-feira (17/3), a PCES realizou uma coletiva de imprensa com os delegados responsáveis pelo caso para detalhar a investigação. O crime ocorreu em 24 de agosto do ano passado no bairro Balneário de Carapebus, na Serra.
No dia da tragédia, Alice foi vítima de um ataque a tiros ligado a um conflito entre o Primeiro Comando de Vitória (PCV) — vertente do CV — e o Terceiro Comando Puro (TCP).
O ataque a tiros, premeditado e elaborado pelo PCV, tinha como objetivo “explodir bomba” para matar integrantes do TCP. A ofensiva teria sido motivada por um “afronto” por parte de integrantes da facção rival, segundo as mensagens recolhidas no celular de um dos faccionados.
Ainda no dia do ocorrido, o bairro Balneário de Carapebus, área com forte presença da facção rival, foi invadida por criminosos do PCV, que pretendiam executar o plano de ataque contra integrantes do TCP.
Posicionados, os faccionados do PCV avançaram pela região e avistaram um carro, no qual estava Alice Rodrigues, além do pai e da mãe dela, que estava grávida. De acordo com a PCES, os criminosos do PCV confundiram a família com membros do TCP e atacaram o veículo a tiros.
De acordo com o delegado da PCES José Lopes, um olheiro apontou o carro errado, o que resultou na morte da criança. Antes dos disparos, os criminosos bateram propositalmente no carro da família e dispararam diversas vezes contra o veículo.
Ataque foi ordenado da cadeia
Além das mensagens de áudio no WhatsApp, que indicaram a premeditação do crime, um faccionado do Primeiro Comando de Vitória enviou uma carta da cadeia ordenando o ataque no bairro Balneário de Carapebus.
“Temos que dar uma resposta a altura nesses cara e explodir logo o Balneário e o Ourimar. A ordem é avançar, quebrar tudo e explodir a bomba lá dentro… se eles não aceitar o papo, o papo é um só: rajada de Glock e granada (sic)”, escreveu o criminoso.

No desfecho da carta, o bandido fala que o ataque era em retaliação, pois a facção rival teria dado “rajada de Glock na nossa cara”. Por isso, a ordem do Comando Vermelho era exterminá-los e retirá-los do bairro para domínio do território por parte do Primeiro Comando de Vitória.










