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Brasil

"Cadê o chefe?", diziam criminosos em invasão a fazenda de Eunício

Caso segue sob investigação da Polícia Civil. Criminosos armados e disfarçados de agentes da PF invadiram fazenda do parlamentar, em Goiás

17/05/2025 02:00, atualizado 17/05/2025 11:06
Pedro França/Agência Senado
“Cadê o chefe?”, diziam criminosos em invasão a fazenda de Eunício

Os criminosos que invadiram a fazenda Santa Mônica do deputado federal Eunício Oliveira (MDB) diziam “cadê o chefe” em uma possível referência ao parlamentar. O episódio ocorreu na fazenda de Eunício, entre os municípios de Corumbá de Goiás (GO) e Alexânia (GO), no mês passado.

O relato consta em depoimentos de funcionários do parlamentar que estavam no local no momento em que os criminosos – uniformizados como agentes da Polícia Federal (PF) e utilizando carros blindados e caracterizados com símbolos da corporação – invadiram a fazenda. Todos os seguranças de plantão na entrada do local foram rendidos.


Entenda

  • Fazenda do deputado do Ceará foi invadida, no Entorno do Distrito Federal, no mês passado.
  • Criminosos perguntavam por “chefe” durante ataque à fazenda de Eunício.
  • Polícia investiga o caso.

Os suspeitos entraram na casa principal da fazenda, onde Eunício costuma ficar quando visita o local, mas não deixaram claro o que procuravam – ainda assim, queriam saber do “chefe”. Os funcionários acreditam que as perguntas podiam ser referentes a Eunício.

O fato chama a atenção dos investigadores porque nenhum item de valor foi levado da propriedade – apenas um cofre chegou a ser conferido pelos criminosos, conforme relato de um caseiro.

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Ao todo, o inquérito conduzido pela Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) mapeia a participação efetiva de 10 pessoas, além de um possível núcleo que teria planejado a invasão à fazenda.

Conforme mostrou o Metrópoles, os veículos utilizados pelos criminosos foram alugados em Fortaleza (CE) e abandonados nas proximidades da fazenda. O caso é tratado sob absoluto sigilo, e não foram repassadas à reportagem informações sobre o resultado da perícia nos veículos ou sobre a identificação dos suspeitos.

Eunício não estava no local no momento da invasão, e sim em Brasília. O parlamentar soube do ocorrido após ser avisado por uma equipe de segurança, que o orientou a acessar as câmeras da propriedade. O deputado já externou receio de voltar ao local após o episódio.

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Deputado federal Eunício Oliveira
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Eunício no Congresso Nacional
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Marcos Brandão/Senado Federal
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Daniel Ferreira/Metrópoles
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Eunício no Congresso Nacional
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Eunício no Congresso Nacional

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Investigações

As investigações seguem sob responsabilidade da PCGO, e o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) já cobrou agilidade na apuração. A polícia possui imagens do circuito de segurança, mas a identificação dos suspeitos é dificultada pelo fato de estarem todos encapuzados, armados e com coletes e distintivos da PF.

A hipótese de envolvimento de uma organização criminosa do Ceará não está descartada.

A fazenda-alvo da invasão pertence ao deputado, mas já foi palco de um imbróglio judicial. A Santa Mônica chegou a ser ocupada por famílias goianas e, em setembro de 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou uma decisão da Justiça de Goiás, devolvendo a posse do imóvel a Eunício.

Além da Santa Mônica, a fazenda Cotia esteve envolvida na disputa. A briga entre Eunício e o proprietário original das duas terras, as quais o parlamentar tenta adquirir desde 2009, já levou à ocupação da área por cerca de 3 mil famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).