Brumadinho: Zema diz que é preciso rever regra de análise de barragens

O governador de Minas Gerais falou em "evacuações além do necessário" e defendeu a atividade de mineração no estado

atualizado 19/02/2019 14:26

Assembleia Legislativa de Minas Gerais/Divulgação

De Belo Horizonte (MG) – No primeiro pronunciamento sobre as centenas de pessoas desabrigadas por risco de rompimento de barragens em Minas Gerais, o governador Romeu Zema disse que vai pedir uma “revisão das regras para classificação das estruturas diante das evacuações ocorridas em três cidades nos últimos dias”.

Para Zema, se a legislação continuar como está, o estado poderá ter dezenas de cidades com pessoas retiradas das casas em muito pouco tempo e isso “seria extremamente danoso para a atividade da mineração”.

O governador quer encontrar uma maneira de assegurar a segurança da população e manter a viabilidade da mineração. Para ele, a maior dificuldade após o rompimento da Barragem I da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), é encontrar técnicos que atestem a segurança dessas estruturas, principalmente as que estão à montante. “O que observamos é que, depois da tragédia em Brumadinho, nenhum técnico ou auditoria verificou mais barragem alguma”, garantiu.

Ainda na tentativa de uma solução que não seja a de interromper as atividades das mineradoras em Minas, Romeu Zema informou que vai a Brasilia nesta quarta-feira (20/2) para uma conversa com o Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. “Vamos tentar montar uma força conjunta para rever esse problema porque chegamos a um ponto em que ninguém mais quer ficar com essa batata quente na mão”, afirmou.

O medo do governador é de que, em breve, todas as barragens do Estado sejam consideradas de risco. Zema não havia se manifestado sobre as evacuações em Nova Lima, Barão de Cocais e Itatiaiuçu e, na última semana, se referiu ao desastre de Brumadinho como um “incidente” e defendeu que as vítimas aceitassem o acordo proposto pela Vale.

Em nota, o governo confirmou que toma as providências necessárias de imediato. A primeira delas, inclusive, foi justamente a evacuação das áreas de risco. Eles reiteraram a cobrança feira à Vale para oferecer alimentação e hospedagem para as famílias evacuadas. O compromisso foi de continuar com o acompanhamento da situação dessas barragens e de garantir a segurança dos mineiros. No entanto, não houve especificação sobre as mudanças nas regras de classificação das barragens.

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