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Quem nunca sonhou em ter um jatinho particular, uma Ferrari ou um iate? O problema é que esses artigos custam caro. Para possuí-los, é preciso ter muito dinheiro no bolso. Ou melhor, era. O conceito de compra compartilhada – existente na Europa há pelo menos 30 anos – chegou com tudo no Brasil e vem conquistando cada vez mais os consumidores. A economia é garantida, bem como os benefícios.

O sistema funciona da seguinte forma: um grupo de pessoas interessadas em adquirir um bem em comum faz uma vaquinha, divide as despesas e compartilha o artigo desejado. Em época de caos econômico e vacas magras, esse modelo se tornou uma maneira de driblar a crise sem abrir mão do luxo. E os brasilienses sabem disso.

Embora não tenha mar, a capital da República possui a terceira maior frota náutica do país e, provavelmente, a com maior quantidade de lanchas por número de habitantes. Por isso, o foco do compartilhamento de luxo, na cidade, são as embarcações utilizadas no Lago Paranoá.

De olho nesse filão, uma empresa chamada Premier Jet abriu as portas no final de 2016 e passou a proporcionar aos consumidores brasilienses uma maneira prática e econômica de obter lanchas ou jet skis. Rogério Fayad, 28 anos, dono da frota, explica que a companhia funciona como intermediária da compra e cuida de toda a parte burocrática e organizacional do negócio.

“O interessado pode adquirir uma cota – porcentagem – de uma lancha ou jet ski e contar com todos os benefícios do barco, sem precisar pagar pelo tempo ocioso do bem, nem se preocupar com manutenção preventiva, aluguel de marina, marinheiro, transporte, mecânico e todas as dores de cabeça que a gestão de uma embarcação aquática pode gerar”, afirma Rogério.

O valor total da lancha é dividido por até oito pessoas. Ao adquirir uma cota, a pessoa passa a ser dona de uma fração da embarcação. É necessário pagar um valor mensal para arcar com os custos extras, como aluguel da marina, manutenção e marinheiro. A taxa mensal também é divida entre os membros da sociedade.

 

 

Uso agendado
Existe uma página on-line na qual os cotistas reservam o dia em que desejam utilizar o bem adquirido, facilitando, assim, a distribuição das datas de uso entre eles. As pessoas envolvidas no compartilhamento das embarcações não precisam se conhecer. A empresa cuida de todos os problemas relacionados a mau uso ou danos causados nas lanchas pelos sócios, para que ninguém saia prejudicado.

A maior fonte de dúvidas para os consumidores, à primeira vista, é a divisão das embarcações entre os cotistas. Segundo o engenheiro de sistemas Gustavo Morais, 34 anos, o que mais chamou sua atenção no modelo foi compreender a existência de uma organização na hora da reserva – ele procurava um barco para comprar sozinho, quando descobriu a opção de fazer a compra compartilhada.

“Agora, no meu ponto de vista, é mais vantajoso ter uma cota, já que você não usa [a lancha] todos os dias, do que ter uma embarcação individual. O ponto mais interessante é que o barco está sempre limpo. Eu não preciso me preocupar com nada, é só chegar e curtir”, disse Gustavo.

Já o funcionário público Marcos Zufelato, 43 anos, revelou que buscava uma oportunidade de entrar na náutica em Brasília, trazendo o lazer para a família, sem precisar investir muito dinheiro. “No meu caso, uma lancha de 24 pés que no mercado custa em torno de R$ 200 mil, a cota ficou em R$ 25 mil. Bem mais em conta”, afirmou.

É como se eu tivesse uma lancha própria, mas o custo é um quarto do valor, é muito mais barato"
Marcos Zufelato, funcionário público


Anúncios na internet

Alguns sites de vendas on-line já trazem o modelo de compra conjunta. Na OLX, por exemplo, é possível encontrar anúncios de lanchas que podem ser dividas. Na publicação consta o valor da cota, R$ 52 mil, mais a taxa mensal, a qual consiste em R$ 1.150 divididos por 5 pessoas. A recomendação é que o membro da sociedade tenha um dia livre na semana e no mínimo um fim de semana por mês para usufruir da embarcação.


De quando em vez, sites como esse trazem anúncios de aviões, jatinhos e helicópteros a serem comprados de forma compartilhada. Um negócio mais comum em praças como Rio de Janeiro e São Paulo. Os valores são mais altos, mas o investimento funciona da mesma forma que o das embarcações. Com o crescimento do mercado brasileiro de aviação executiva, o compartilhamento de aeronaves atrai clientes buscando opções mais econômicas para fechar negócios que atendam suas necessidades por bens de alto padrão.