Brasil tem aumento de 22,7 milhões no grupo dos inadimplentes
Levantamento da Serasa aponta que em fevereiro havia 81,7 milhões de pessoas que não conseguiam pagar as dívidas em dia no Brasil
atualizado
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O Brasil teve aumento de 22,7 milhões de inadimplentes nos últimos dez anos, conforme dados da Serasa divulgados na semana passada. A quantidade de pessoas endividadas e inadimplentes tem crescido no país nos últimos anos e alcançou preocupação até do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que colocou o assunto como uma pauta frequente nas últimas falas.
A Serasa apresentou na semana passada um relatório chamado Mapa da Inadimplência do Brasil: 10 anos. O documento apresenta números de 2016 a 2026. No período, a população endividada passou de 59 milhões para 81,7 milhões (+38,47%), crescimento bem maior do que o da população geral, que passou de 206 milhões para 213,4 milhões no período (+3,7%).
Onde está a dívida da inadimplência
- Bancos e financeiras: 47,1%.
- Contas básicas: 21,4%.
- Serviços: 11,6%.
- Varejo: 8,2%.
- Outros: 6,8%.
- Telefonia: 4,9%.
Ouro destaque do Mapa é que 42% dos brasileiros inadimplentes agora já enfrentaram restrições há 10 anos, ou seja, estavam com nome negativado.
No período analisado (2016-2026), outra questão interessante é a mudança na localização da dívida que dá origem à inadimplência. Os bancos e financeiras concentravam 32,7% da origem das dívidas e agora passaram para 47,1%. As contas básicas também assumiram protagonismo.
No início do levantamento respondiam por 13,9% das dívidas fonte da inadimplência, mas passaram para 21,4% em 2026.
Banco Central
O Banco Central (BC) também acompanha o endividamento e a inadimplência. Levantamento divulgado no fim de fevereiro deste ano revelou que o endividamento das famílias atingiu 49,7% ao final de 2025, um aumento de 1,3 ponto percentual em 12 meses. O comprometimento de renda avançou e alcançou 29,2% em 2025.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na última sexta-feira (26/3) que os cartões de crédito são um ponto de atenção para a inadimplência.
“A maior parte da inadimplência está relacionada com o cartão de crédito e com o rotativo”, disse ele.
Os cartões de crédito cobram juros no rotativo que variam de 45,5% a até 1.216,55% ao ano. Ainda conforme Galípolo, cerca de 100 milhões de brasileiros estão sujeitos aos juros abusivos, aplicados em caso de inadimplência.
Lula entra na pauta
Na última terça-feira (24/3), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), manifestou preocupação com o endividamento das famílias brasileiras. O presidente ressaltou que o país apresenta o menor desemprego da história e experimenta aumento da massa salarial. Lula levantou dúvidas sobre como isso combina com o aumento na inadimplência.
“Há uma contradição na economia que é o seguinte: o desemprego é o menor da história, o crescimento da massa salarial é o maior da história, o desemprego é o menor da história, mas há uma percepção na sociedade de que as coisas não estão bem, de que a sociedade está endividada. E eu tô querendo descobrir essas dívidas das pessoas”, disse o presidente.
No dia seguinte, em Anápolis, ao acompanhar reinauguração de uma linha de produção de uma montadora, Lula voltou ao tema e disse que o governo trabalha em uma “saída” para o problema.
“Nós estamos tentando encontrar uma saída para ver se a gente diminui, sabe, a angústia da sociedade. Para ver se a gente consegue melhorar essencialmente. Para ver se a gente consegue fazer com que as pessoas se sintam aliviadas. Não é uma tarefa fácil, completou o presidente.
Ainda na sexta, Galípolo negou que o BC tivesse a intenção de realizar uma possível intervenção nos juros praticados pelas instituições financeiras, mas revelou preocupação com o tema. Galípolo explicou ainda que o governo poderia atuar de outras maneiras, mas que isso não caberia à autoridade monetária presidida por ele.
“A dimensão que o BC está analisando, é uma discussão estrutural sobre como que você está o tempo todo produzindo normas e arranjos que são mais saudáveis do ponto de vista do consumo de crédito”, explicou.






