
Brasil exporta mais de US$ 300 milhões em armas pequenas por ano
País está entre os cinco maiores vendedores internacionais do mundo

O Brasil é um dos cinco maiores exportadores de armas pequenas do mundo
Desde 2010, foram US$ 3,5 bilhões em exportação
As empresas mais famosas do setor são a Taurus e a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC). No entanto, há outras importantes, inclusive uma estatal, a Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), vinculada ao Ministério da Defesa.
De acordo com a Associação Nacional da Indústria de Armas e Municões (Aniam), a produção brasileira é de 4,9 mil armas de fogo por dia e 700 milhões de munição por ano.
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O principal comprador de armas pequenas brasileiras são os Estados Unidos. O país norte-americano adquiriu 45% da mercadoria exportada pelo Brasil desde 2010, o equivalente a US$ 1,5 bilhão. Os EUA são o maior mercado mundial de armas de uso pessoal do mundo e esse tipo de produto normalmente é destinado a civis.
“A demanda dos Estados Unidos tem um impacto significativo nos negócios internacionais como um todo. Existem outros bons compradores, mas não na mesma escala”, explicou Paul Holtom, pesquisador sênior na Small Arms Survey.
Depois dos Estados Unidos, vem a Arábia Saudita, com US$ 524 milhões vendidos para o Brasil desde 2010, e a Alemanha, com US$ 130 milhões.
Transparência
Apesar do tamanho e da importância, o setor reluta em divulgar mais informações sobre as suas exportações. Qualquer pedido de Lei de Acesso à Informação feito para conhecer os destinatários das vendas da Imbel é negado alegando o segredo comercial.
Cruzando o local onde a exportação é registrada com a sede de cada empresa, é possível afirmar que a Imbel vendeu armas para compradores localizados em Botsuana, África do Sul, Estados Unidos e Austrália. Porém, não é possível obter mais informações.
Questionada sobre o assunto, a Imbel disse apenas que as informações estão protegidas por sigilo contratual. “O governo tem obrigação de supervisar o setor, mas quando não é transparente com sociedade civil e jornalistas, podem acontecer transações perigosas”, apontou Holtom. O especialista citou o caso da brasileira Taurus que teve armamento utilizado na guerra civil do Iemen, violando restrições internacionais.
O Brasil aderiu em 2018 a um tratado de regulação do comércio internacional de armas. Entre outras cláusulas, o documento pede que cada país divulgue um relatório anual sobre o assunto. “A medida, entretanto, é fácil de burlar”, explicou Holtom.
Os membros do tratado podem decidir submeter o relatório apenas aos outros países que assinaram o documento. “Primeiro, somente a Eslováquia fazia isso, mas agora outros governos aderiram a essa estratégia, inclusive o Brasil. Mas, mesmo se a prestação de contas brasileira for pública, algumas agregações de dados fazem o documento ficar sem sentido prático. Há jeitos de ter as informações divulgadas e não aumentar a transparência”, disse o especialista.
Como exemplo, ele citou casos onde são fornecidos apenas o valor total de exportação de armas pequenas no ano, sem informação de destino ou dos produtos vendidos.
