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Brasil

Brasil acusa EUA de escalada hostil após revogar visto de embaixadora

Governo Lula afirmou que medida contra Maria Luiza Viotti tem motivação ideológica e acusou Washington de tentar interferir nas eleições

04/08/2026 20:37, atualizado 04/08/2026 21:07
Alice Rabello
Montagem colorida com fotos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump com bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos ao fundo - Metrópoles

O governo brasileiro acusou os Estados Unidos de promoverem uma “escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil” ao cancelar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da representação diplomática do país em Washington.

Em nota divulgada nesta terça-feira (4/8), o Planalto afirmou que a decisão norte-americana foi motivada por “razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral” baseada no respeito mútuo.

“A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”, declarou o governo.

A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também acusou os Estados Unidos de tentar interferir na disputa pelo Palácio do Planalto.

“Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”, diz a nota.

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O governo do republicano Donald Trump anunciou o cancelamento do visto de Viotti nesta terça.

A diplomata representa o Brasil nos Estados Unidos desde 2023 e foi a primeira mulher escolhida para comandar a embaixada brasileira em Washington. O Itamaraty não foi avisado previamente sobre a medida.

A decisão é tratada como uma retaliação à demora do Brasil em conceder o agrément, nome dado ao aval diplomático, a Daniel Perez. Deputado estadual pela Flórida, ele foi indicado pelo governo Trump em 1º de junho para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, mas ainda não recebeu a autorização brasileira.

O Planalto classificou como “falsas” as justificativas apresentadas pelo Departamento de Estado. Segundo o governo, o processo de concessão do agrément é confidencial e o nome indicado somente deveria ter sido divulgado depois da anuência do país que receberá o diplomata.

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