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Bolsonaro usou do poder para intimidar imprensa, dizem OAB e Abraji

Presidente publicou matéria em que uma repórter teria dito querer arruinar o senador pelo PSL do Rio Flávio Bolsonaro e o governo

Otávio Augusto11/03/2019 12:11, atualizado 11/03/2019 13:01
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Igo Estrela/Metrópoles
Bolsonaro usou do poder para intimidar imprensa, dizem OAB e Abraji

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) criticaram o presidente Jair Bolsonaro (PSL) após ele compartilhar uma notícia que teria sido manipulada. As entidades consideraram a atitude como um “ataque público à imprensa”. O chefe do Executivo replicou uma matéria no Twitter que atribui à jornalista Constança Rezende, do jornal O Estado de S. Paulo, a intenção de “arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”.

As entidades consideraram que a publicação “abala um dos pilares da democracia, a existência de uma imprensa livre e crítica”. “Isso mostra não apenas descompromisso com a veracidade dos fatos, o que em si já seria grave mas também o uso de sua posição de poder para tentar intimidar veículos de mídia e jornalistas, uma atitude incompatível com seu discurso de defesa da liberdade de expressão”, destaca o comunicado.

O texto ainda lamenta os ataques que Constança e seus familiares sofreram. “Como é comum nesse tipo de ataque, a família de Constança também virou alvo. O grave nesse episódio é que o próprio presidente instigou esse comportamento, ao citar como indício de suposta conspiração que Constança é filha de um jornalista de O Globo”, destaca o texto.

A OAB e a Abraji saíram em defesa do exercício da profissão. “Profissionais atacados por fazer seu trabalho terão sempre nosso apoio”, conclui a mensagem, ao dizer que a publicação de Bolsonaro  alimenta “a narrativa governista de que a imprensa mente quando se refere às investigações sobre as movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro”.

Áudio
A suposta declaração da repórter teria sido feita em uma conversa sobre a cobertura das movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Ele é investigado pelo núcleo de combate à corrupção do Ministério Público Federal.

O áudio compartilhado foi manipulado. As frases foram retiradas de uma conversa que Constança teve com um estudante interessado em fazer um estudo comparativo entre Donald Trump e Jair Bolsonaro.

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