Bolsonaro sobre padre Lancellotti: “Pensam que é realmente sério”

O presidente da República criticou o líder religioso à apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada

atualizado 29/05/2021 10:31

O presidente Jair Bolsonaro criticou, na noite dessa sexta-feira (29/5), enquanto conversava com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, o padre paulistano Júlio Lancellotti. O chefe do Executivo comentou sobre uma foto em que o religioso aparece abençoando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após um encontro que ambos tiveram na terça-feira (25/5) para conversar sobre a população mais pobre do país (veja a imagem na postagem abaixo).

“Tava na imprensa uma foto do Lula e do padre Lancelotti de São Paulo. Eu não vou falar tudo aqui não. O Lancelotti deu uma Pajero para alguém há um tempo atrás […] Esse padre é daquele padrão. É o padre, padre Pajero. […] Os caras colocam o Lula com um padre pensando que fosse um padre realmente sério, responsável. É daquele padrão esse padre. Padrão Fifa. Padrão 7 a 1”, afirmou Bolsonaro.

O episódio ao qual o presidente referiu-se diz respeito a um caso ocorrido em 2004, quando o religioso disse ter sido extorquido por um ex-interno da antiga Febem, o Anderson Marcos Batista. Na época, Lancelotti contou, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, que Batista ameaçou falar à imprensa que o padre teria cometido pedofilia contra seu então enteado de 8 anos.

O caso veio à tona após Lancelotti entregar à polícia conversas em que era chantageado. As investigações mostraram que Batista e sua mulher compraram vários carros de luxo, dentre eles, uma Pajero que foi financiada no nome do religioso católico.

Crítico do governo

O padre Júlio Lancellotti é antigo crítico do atual ocupante da cadeira do Planalto. Uma das falas mais emblemáticas do padre foi contra opiniões de Bolsonaro consideradas por ele “homofóbicas e violentas”. A posição do religioso foi dada em vídeo divulgado em março de 2017.

As criticas renderam até um processo contra o padre. Mas em 2020, o requerente da ação, o já presidente da República, perdeu.

Na decisão, proferida pelo juiz Marcelo Nobre de Almeida, da 7ª Vara Cível do Rio de Janeiro, o magistrado ressalta que os posicionamentos de Lancellotti são fortes, mas não apresentam “animus específico de injuriar ou ofender o autor”. Bolsonaro ainda foi condenado a pagar as custas e os honorários do processo.

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