Bolsonaro rebate diretor do Inpe: “Propaganda negativa do Brasil”

Discordância de dados sobre desmatamento gerou polêmica entre Paulo Galvão e o presidente, que escalou dois ministros para estancar a crise

Foto: Rafaela Felicciano/MetrópolesFoto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 21/07/2019 19:27

Neste domingo (21/07/2019), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) rebateu críticas do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Magnus Osório Galvão, que foi acusado pelo presidente de agir “a serviço de alguma ONG”, ao divulgar dados sobre desmatamento. Para o chefe do Palácio do Planalto, Galvão faz “propaganda negativa do Brasil”.

Bolsonaro comentou o assunto antes de almoçar em uma galeteria no Setor de Clubes Sul, em Brasília. Segundo o presidente, os ministros Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, e Ricardo Sales, do Meio Ambiente, irão conversar com Galvão nos próximos dias. “Ele tem mandato e eu não vou falar com ele”, retrucou. Galvão comanda o instituto desde setembro de 2016.

Segundo o presidente, desagrada o governo a “propaganda negativa do Brasil”. “Aqueles dados pareceram muito com os do ano passado. Deram um salto. Então, eu fiquei preocupado, obviamente. Mas também achei que eles poderiam não estar condizentes com a realidade. Não é o meu nome que está mal lá fora. É o nome do Brasil que está mal lá fora”, completou Bolsonaro.

Galvão reclamou da postura de Bolsonaro em entrevistas recentes ao Jornal Nacional, da TV Globo, e ao jornal O Estado de S Paulo.  O chefe no Inpe não gostou do descrédito dado pelo governo aos dados produzidos pelo órgão. Segundo Galvão, a atitude do presidente foi “pusilânime e covarde” e a fala de Bolsonaro parece mais “conversa de botequim”.

A polêmica com o Inpe começou com declarações de Bolsonaro um dia após o órgão mostrar que a área perdida de floresta até meados deste mês já é a segunda maior da série histórica, medida desde 2015. Até sexta-feira (19/07/2019), o Inpe registrava para julho um corte de 1.209 km², o valor mais alto de desmatamento em um mês desde 2015. É também 102% maior do que o observado em julho de 2018.

Galvão subiu o tom contra o presidente. “O senhor Jair Bolsonaro precisa entender que um presidente da República não pode falar em público, principalmente em uma entrevista coletiva para a imprensa, como se estivesse em uma conversa de botequim. Ele fez comentários impróprios e sem nenhum embasamento e fez ataques inaceitáveis”, criticou em entrevista publicada neste domingo pelo O Estado de S Paulo.

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