Bolsonaro na Papudinha: Moraes cita críticas dos filhos sobre cela na PF
Na decisão de transferir Bolsonaro para a Papudinha, Moraes citou “sistemática tentativa de deslegitimar” prisão em cela da PF
atualizado
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou uma “sistemática tentativa de deslegitimar” as condições da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na decisão, publicada nesta quinta-feira (15/1), para transferir o ex-chefe do Executivo para a Papudinha.
Moraes citou sucessivas entrevistas dadas por Flávio e Carlos Bolsonaro — filhos do ex-presidente — com reclamações sobre supostos abusos nas condições em que Bolsonaro estava preso na superintendência da Polícia Federal.
O magistrado disse que a prisão de Bolsonaro vinha “ocorrendo com o absoluto respeito à dignidade da pessoa humana e em condições extremamente favoráveis em relação ao restante do sistema penitenciário brasileiro”.
“O senador Flávio Bolsonaro, novamente, fez críticas infundadas às condições extremamente favoráveis da Sala de Estado Maior na Superintendência da Polícia Federal, reclamando do “tamanho das dependências” (“uma sala de doze por doze”) – onde diferentemente dos 384.586 (trezentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e oitenta e seis) presos em regime fechado não há superlotação, mas sim exclusividade, do “banho de sol”, do “ar condicionado” e, pasmem, dizendo que a “a ordem para os policiais é deixarem ele trancado dentro de uma sala de doze por doze na chave o dia inteiro”, como se o custodiado Jair Messias Bolsonaro não estivesse cumprindo decisão judicial definitiva de prisão, que o condenou a 27 (vinte e sete) anos e 3 (três) meses, inicialmente em regimente fechado”, diz a decisão.
Além dos filhos, Moraes também citou manifestações feitas pela defesa do ex-presidente e declarações de aliados, como o deputado federal Pauli Bilynskyj (PL-SP) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
“Da mesma maneira, não há dúvidas da existência de uma campanha de notícias fraudulentas com o intuito de tentar desqualificar e deslegitimar o Poder Judiciário, ignorando que as condições
absolutamente excepcionais e privilegiadas do cumprimento de pena privativa de liberdade em regime fechado de Jair Messias Bolsonaro”, diz.
