Bolsonaro descartou pedido de asilo político à Argentina, diz defesa
De acordo o advogado de defesa do ex-presidente, em momento algum Bolsonaro pensou em sair do Brasil em meio ao processo que enfrenta
atualizado
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A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quinta-feira (21/8), que ele descartou um pedido de asilo político à Argentina.
Paulo Cunha Bueno, um dos advogados que defendem Bolsonaro no julgamento da trama golpista, confimou que o ex-presidente, de fato, recebeu uma minuta com proposta de asilo no país governado pelo aliado Javier Milei, mas não aderiu à ideia.
A informação foi divulgada pela coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, e confirmada pelo Metrópoles.
Cunha Bueno reafirmou que Bolsonaro não cogitou em momento algum sair do país. ““Essa proposta ocorreu há mais de um ano e meio, e ele rechaçou”, disse à colunista.
Porém, durante uma operação contra o ex-presidente realizada pela Polícia Federal (PF), os agentes encontraram um rascunho de pedido de asilo político na Argentina em um dos celulares apreendidos de Bolsonaro. Segundo a PF, o arquivo estava no modo editável e sem data ou assinatura.
No ano passado, uma reportagem divulgada pelo jornal The New York Times mostrou que o ex-presidente permaneceu dois dias na embaixada da Hungria, em Brasília, entre os dias 12 e 14 de fevereiro de 2024, após ter tido seu passaporte apreendido pela PF.
Bolsonaro já estava proibido de se comunicar com autoridades estrangeiras, embaixadores e diplomatas desde o último mês, quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma operação e mandados de busca e apreensão contra o ex-presidente, por suspeitar que ele pudesse tentar deixar o país.
O ministro ainda determinou o uso de tornozeleira eletrônica e proibiu que Bolsonaro use redes sociais. Além disso, ele também foi proibido de se aproximar de embaixadas, sair de casa aos fins de semana e tinha que se recolher às 19h.
Réu na trama golpista
Em novembro do ano passado, o ex-mandatário se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que investigou uma tentativa de golpe de Estado durante as eleições presidenciais de 2022. Este ano, o STF tornou Bolsonaro réu pelo crime de tentativa de golpe de estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O julgamento está previsto para acontecer no próximo dia 2 de setembro. Bolsonaro é acusado de liderar um grupo denominado “Kid Pretos”, formado por militares e aliados do ex-presidente que faziam parte do plano que girava em torno da chamada “minuta do golpe”.
