Bolívia vai denunciar Brasil na ONU por “racismo de Estado”

Rodrigo Amorim, deputado estadual do Rio de Janeiro, fez declaração dizendo que quem gosta de índio deve se mudar para a Bolívia

atualizado 09/01/2019 12:30

O governo boliviano declarou que vai fazer uma denúncia formal na Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Brasil por “racismo de Estado”. A queixa tem origem em uma frase do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL RJ), considerada discriminatória.

O parlamentar, que nas últimas eleições foi o mais votado do estado do Rio de Janeiro, disse que a aldeia Maracanã – que é uma das poucas comunidades indígenas urbanas no país – é um “lixo”, e que “aqueles que gostam de índios que deveriam se mudar para a Bolívia”, país que, segundo o deputado, além de ser comunista é presidido por um índio. Segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), mais de 60% da população boliviana é indígena.

Amorim ainda declarou que a área da aldeia, que possui 14.300 metros quadrados e se localiza na Zona Norte do Rio, deveria ser utilizada para atividades que visem lucro.

Em entrevista ao jornal Pagina Siete, o vice-ministro da descolonização Félix Cárdenas declarou que a fala do deputado carioca foi tipificada como “racismo de Estado”. Ele garantiu que levará a queixa às Nações Unidas.

Nos últimos dias, as declarações já tinham repercutido negativamente entre as autoridades bolivianas. O ministro da Justiça do país, Hector Arce Zaconeta, usou o Twitter para criticar o deputado carioca.

“Quando se trata de defender a nação boliviana não existem diferenças políticas. Nossos povos indígenas merecem todo respeito e valorização, e um representante eleito de um país tão grande e digno como é o Brasil deveria desculpa-se publicamente”, declarou o ministro na primeira publicação sobre o assunto.

Até mesmo a oposição ao governo de Evo Morales criticou a fala de Amorim. O ex-presidente boliviano Carlo Mesa também usou o Twitter para se manifestar. “Indignante a declaração do deputado brasileiro que ofende a Bolívia e não expressa a irmandade dos nossos povos. Diferenças ideológicas entre governos não justificam tal afirmação. O indígena é parte essencial de nossas identidades e nossa fortaleza como nação”, declarou Mesa.

Não é a primeira vez que Amorim se envolve em polêmicas. Em outubro, quando ainda concorria ao cargo de deputado estadual, Amorim publicou uma foto no Facebook após destruir uma placa que homenageava a vereadora assassinada Marielle Franco. Na foto o então candidato estava acompanhado do o candidato a deputado federal Daniel Silveira (PSL).

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