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Brasil

Bares e restaurantes planejam acionar Justiça contra restrições em SP

Governo paulista proibiu venda de bebida alcóolica por estabelecimentos depois das 20h. "Equivale a dizer feche ou quebre", diz associação

11/12/2020 17:32, atualizado 11/12/2020 18:26
Fábio Vieira/Metrópoles
Movimento em restaurantes de São Paulo

São Paulo – O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Percival Maricato,  classificou como “injustas e improdutivas” as novas medidas restritivas de combate à Covid-19 anunciadas nesta sexta-feira (11/12) pelo governo de São Paulo.

As novas regras, que passam a valer a partir deste sábado, determinam que bares só poderão ficar abertos até as 20h, enquanto restaurantes terão horário de funcionamento até as 22h, mas com a venda de bebida alcoólica restrita até as 20h.

“Injusto, porque se tinha alguém fazendo o dever de casa eram os restaurantes. Você vê aí o que é essa vergonha que é a 25 de Março, o Brás, enfim, ruas com dezenas de milhares de pessoas circulando, muitas sem máscara. Tem pancadão, praia, e o setor que estava cumprindo os protocolos é que vem a ser punido, o setor que guardava a distância das mesas, tinha máscara, tinha álcool em gel… E é improdutivo, porque essas aglomerações continuam”, disse Maricato ao Metrópoles.

A Abrasel planeja acionar a Justiça na segunda-feira contra as novas restrições no estado de São Paulo. Segundo Maricato, a entidade deve questionar as limitações sobre a venda de álcool. “Proibir a bebida é evidentemente inconstitucional. É uma intervenção por demais violenta na propriedade privada e na liberdade econômica. E não resolve nada. Isso também é inadmissível, porque não resolve”, afirmou.

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Na avaliação do presidente do Abrasel, estabelecimentos terão perdas e muitos podem fechar com as novas medidas. “O impacto é quase que total. Se você ficar com o restaurantes aberto, onde a pessoa vai jantar, ela chega às 20h e tem sair às 22h e não pode beber, então você prefere fechar, porque vai dar prejuízo. Equivale a dizer feche ou quebre”, disse.

Segundo ele, com a pandemia, 30% das empresas do setor quebraram e o restante, que esperava faturar alguma coisa no fim do ano, será prejudicado. “Não vai conseguir pagar 13º, não vai conseguir pagar aluguel…”, acrescentou.

Fábio Vieira/MetrópolesMovimento em restaurantes de São Paulo
Movimento em restaurantes de São Paulo

Para Maricato, as novas restrições não devem reduzir as aglomerações, mas aumentar a reunião de pessoas nas portas de bares e restaurantes. Ele defendeu a ampliação de horário de funcionamento para os estabelecimento – uma medida adotada para o comércio – e maior fiscalização do poder público.

“Os jovens não vão deixar de sair. Eu acho que ele deveria deixar abrir as mesas nas calçadas e tentar diminuir o público que fica em pé. E quem sabe [adotar] a mesma coisa que foi feita para comércio, que é ampliar o funcionamento para não juntar público em determinado horário. Ninguém pode impedir uma pessoa de ficar na porta em pé conversando”, afirmou.