Comunicações de bancos ao Coaf aumentam 382% em cinco anos
Segundo Coaf, em 2020, foram registradas 248 mil comunicações, enquanto em 2025 foram registradas 1,1 milhão de comunicações suspeitas
atualizado
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O número de comunicações de operações suspeitas enviadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por bancos registrou forte alta nos últimos cinco anos, com crescimento de 382% no período, segundo dados do órgão.
A série histórica indica uma mudança de patamar no volume de registros anuais, que saiu da casa das centenas de milhares para a dos milhões. O avanço se intensifica a partir de 2020, em meio à digitalização acelerada do sistema financeiro e à expansão de novos meios de pagamento.
As comunicações são feitas por instituições financeiras e outros setores obrigados a reportar movimentações consideradas atípicas, como parte das regras de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
O Banco Central (BC) atribui o aumento ao aprimoramento dos mecanismos de monitoramento adotados pelas instituições. Segundo a autoridade monetária, investimentos em tecnologia e análise de dados permitiram ampliar a capacidade de detecção e, consequentemente, o número de comunicações encaminhadas ao Coaf.
Ao Metrópoles, o BC afirmou que ainda que não há evidências de relação entre o crescimento dos registros e os meios de pagamento, como o Pix, e disse que não houve mudanças regulatórias relevantes no período que pudessem explicar diretamente a alta.
Comunicações ao Coaf desde 2020
- 2020: 248.878
- 2021: 437.192
- 2022: 703.745
- 2023: 990.507
- 2024: 1.164.960
- 2025: 1.199.644
- 2026 (até o dia 1° de abril): 345.620
Apesar da disparada, o órgão evita fazer avaliações com base apenas no volume de comunicações. “A avaliação do BC com relação a operações suspeitas não se limita apenas ao quantitativo de comunicações realizadas”, informou, em nota. A autoridade acrescenta que não traça expectativas específicas sobre a quantidade desses registros.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o aumento pode refletir uma combinação de fatores, como a ampliação das transações digitais, o maior rigor nos processos de compliance e o uso mais intensivo de ferramentas automatizadas de monitoramento.
Ou seja, o crescimento das comunicações não significa necessariamente aumento de irregularidades, mas pode indicar maior capacidade de identificação de operações atípicas pelo sistema financeiro.
De acordo com o sócio da área Penal Empresarial do Veirano Advogados, Pedro Simões, o aumento é considerável porque o mercado vem aumentando e tendo mais players e mais agentes, o número de comunicações tende a aumentar.
“Analisando a subida do número de comunicação de operação suspeita não me parece que aconteceu alguma coisa de inexplicável o que aconteceu foi uma mudança normativa grande em 2020 e de lá para cá eu tenho um aumento gradual e constante do número de comunicações que vem sendo feito e isso me parece totalmente compatível com o tamanho da mudança institucional que aconteceu no país”, explicou.
Já segundo o advogado especialista em Direito Tributário e Constitucional, Flavio El Ackel, o aumento no número de comunicações ao Coaf pode ser explicado pelas implementações de novas diretrizes de compliance, aumento de fiscalização e uma pressão internacional por maior rigor nas operações.
Tem também causas econômicas e operacionais que podem ser identificadas, como o aumento do dólar, aumento de inflação e ciclos de investigações de crimes financeiros. Na esfera operacional vejo a utilização massiva de Inteligência Artificial (IA) e a integração de setores novos, como as criptomoedas”, destacou.
Procurado, o Coaf afirmou que não vai comentar os dados.
