Ataque em SC: “Perguntei pelo meu filho e descobri que estava morto”

Pai do pequeno Miguel, de 1 ano e 9 meses, morto em ataque a creche no interior de Santa Catarina, descreve como soube da morte do filho

atualizado 06/05/2021 19:33

Miguel, vítima de ataque à creche em SCReprodução

Os pais do pequeno Murilo, de 1 ano e 9 meses, vítima do ataque na creche Pró-Infância Aquarela, em Santa Catarina, relataram detalhes do pior dia de suas vidas – marcado pela morte do filho. Kerli da Silva, de 28 anos, e Maurício Massing, de 35, foram orientados a ir ao hospital, sem saber que a criança já estava sem vida. Lá, receberam a notícia trágica.

“Ele acordou bem cedo naquele manhã. Tomou leite na cama com o irmão e, quando terminou, veio até a cozinha com as mamadeiras, dizendo ‘pia, pia’, para que eu as colocasse na pia. Depois, fomos para a escola e, ao chegar, a professora de quem ele mais gostava estava sentada no chão. Veio uma outra mulher pegá-lo, e ele não quis. Só quando a Larissa (professora) se levantou que ele foi. No carro, já vinha falando: ‘Issa, issa, boi’. Dizia que ia à escola brincar com a Larissa e com o boi. E, então, me disse tchau. Perguntei se ele queria me entregar o bico, falou que não. E disse: ‘Tchau, mamãe'”, contou Kerli ao Extra.

Kerli da Silva estava no trabalho, a duas quadras da creche, quando sua irmã lhe avisou sobre o ocorrido, em torno das 10h20. Ela havia deixado seu filho na porta da instituição cerca de três horas antes. Fazia dois meses que ela levava Murilo para passar as manhãs no local, depois de cuidar dele em casa durante um ano e meio. O menino passava as tardes com a avó materna.

Ao ser informada do ataque, Kerli foi levada até a creche pela gerente da loja onde trabalha. Deparou-se com pessoas correndo, uma gritaria generalizada e a rua tomada por carros, viaturas e ambulâncias. Ela ainda tentou entrar na instituição, mas foi impedida por um policial no momento em que passava pelo portão principal.

“Estava todo mundo muito desesperado, chorando muito, correndo de um lado pro outro. Cheguei no mesmo instante que o pai da Sarah (uma das vítimas). Fomos pelo lado de cima da creche, e ele conseguiu entrar pelos fundos, porque não tinha ninguém barrando. Quando estava indo atrás dele, uma professora gritou: ‘O Murilo foi levado pro hospital’. Aí eu voltei, senão teria entrado com ele”, disse a mãe.

Notícia trágica

Kerli partiu em direção ao hospital, a menos de cinco minutos dali, mas também foi vetada na entrada. Nervosa, não soube responder qual roupa seu filho estava usando. Graças à mãe de uma amiga que trabalha na unidade e a avistou, ela conseguiu ter informações sobre o Murilo. (E recebeu ali a trágica notícia:) Ele chegara já sem vida.

Cerca de uma hora depois, o pai da criança recebeu a mesma notícia na recepção do hospital. Ele havia viajado a serviço à cidade vizinha de Pinhalzinho e retornou tão logo foi avisado sobre o caso.

“Quando cheguei em Saudades, já falaram para eu ir direto ao hospital. Minha mulher estava no quarto, tinha passado mal. Ao chegar na recepção, perguntei pelo meu filho e descobri que estava morto”, disse Maurício, emocionado.

Após o ataque, o criminoso também foi levado a um hospital na cidade de Chapecó em estado gravíssimo. O jovem cortou o próprio pescoço com a faca usada no crime, mas não conseguiu concluir a tentativa de suicídio e ficou estirado no chão.

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