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Brasil

Ata do Copom volta a citar política fiscal como fator de risco

Documento foi publicado nesta terça-feira (11/8), após decisão do Copom de reduzir os juros para 14% ao ano na última reunião

11/08/2026 08:07, atualizado 11/08/2026 08:25
Vinícius Schmidt/Metrópoles
Copom cita política fiscal de Lula como risco para inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (11/8), a ata referente à reunião de agosto. No último encontro, o colegiado reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, o que levou o índice para 14% ao ano.

O comunicado oficial da última reunião reforça cautela diante do cenário econômico e sinaliza que o colegiado de diretores da autoridade monetária foca em desdobramentos do cenário, sobretudo em relação à guerra no Oriente Médio, para definição futura de juros no Brasil.

Na ata divulgada nesta terça, o Copom voltou a citar a política fiscal do governo Lula como fator de risco para a inflação.

“O Comitê mantém a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê reforça, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, diz o texto.

Não é a primeira vez que o comitê cita o fiscal do governo como ponto de atenção para os riscos inflacionários. De acordo com a autoridade monetária, é necessário que a política fiscal atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta

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“A política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros”, afirmou o texto, ou seja, para o Copom, os gastos do governo e a injeção de recursos na economia, por meio das linhas de crédito, pode afetar a sustentabilidade da dívida pública.

Além disso, o colegiado também cita a crise no Oriente Médio como o principal fator de risco externo, principalmente levando em consideração os choques dos preços do petróleo.

“A incerteza com relação ao cenário externo segue em níveis elevados. Além das indefinições em relação aos desdobramentos das tensões geopolíticas, colaborou para esse cenário a permanência de incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos”, avaliou.

Sinalização para a próxima reunião

Assim como na semana passada, o colegiado evitou dar direcionamentos sobre os rumos da política monetária. O texto afirma que, no contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, “o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Apesar disso, a ata sinalizou que, em um ambiente de expectativas desancoradas, é necessário que a restrição monetária seja maior e por tempo mais prolongado do que em outros momentos seria apropriado. 

A autoridade monetária afirmou também que o Copom não deve reagir aos efeitos primários dos choques de preço, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem.


Entenda a situação dos juros no Brasil

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
  • Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.

Expectativas do mercado para a Selic

Analistas do mercado financeiro, consultados semanalmente no relatório Focus, estimam que a taxa básica de juros, a Selic, feche 2026 em 13,75% ao ano. Ou seja, não há expectativa de novos aumentos na taxa, mas o mercado acredita em novos cortes, na proporção de 0,25 pontos percentuais.

As estimativas para os próximos anos são as seguintes, confira abaixo:

  • Para 2027, a previsão da taxa de juros é de 12% ao ano;
  • Para 2028, a estimativa continua em 10,50% ao ano;
  • Para 2029, a estimativa é de 10% ao ano.

Próximas reuniões do Copom:

  • 15 e 16 de setembro;
  • 3 e 4 de novembro;
  • 8 e 9 de dezembro.