Assassinato de ex-marido de Flordelis terá 1º julgamento de acusados
Presa, ex-deputada é acusada de mandar matar o marido, Anderson do Carmo, em 2019. Primeiro julgamento sobre caso começa terça-feira (23/11)

Rio de Janeiro – Uma trama familiar movida por traição, ódio e dinheiro, costurada pela ex-deputada Flordelis dos Santos de Souza, sustenta as acusações nos dois processos sobre a morte a tiros do marido da ex-parlamentar, o pastor Anderson do Carmo. O crime ocorreu em 2019.
Flordelis está presa, suspeita de ser mandante do assassinato. O primeiro julgamento do caso na Justiça será nessa terça-feira (23/11). No banco dos réus, aparecem dois filhos da matriarca.

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Ver todasFilho biológico de Flordelis, Flávio dos Santos Rodrigues é acusado de ter efetuado os disparos contra o pastor na garagem da casa onde vivia com Flordelis. Eles foram casados por 21 anos.
Filho adotivo da ex-parlamentar, Lucas Cezar dos Santos Souza acabou denunciado à Justiça por ter comprado a pistola usada no crime. Ambos respondem por homicídio triplamente qualificado (sem chance de defesa da vítima).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Vou usar vídeos com depoimentos dos dois na delegacia. Em um, o Flávio confessa ter dado os tiros, em outro, o Lucas diz que recebeu carta da mãe para assumir o crime no lugar de Flávio. É preciso se fazer justiça após dois anos e cinco meses da morte do pastor Anderson”, afirmou o advogado Angelo Máximo, assistente de acusação.
Máximo se refere a uma carta que Lucas acusou Flordelis de ter escrito, levada ao presídio Bandeira Stampa, no Complexo de Gericinó, em Bangu, zona oeste, por Andrea Santos Maia, esposa do ex-PM Marcos Siqueira, que estava preso com Lucas.
Em depoimento à Polícia Civil, em 2020, Lucas afirmou que, após receber a mensagem supostamente assinada pela mãe, copiou dentro da cadeia um texto de confissão já pronto, que o incluía na participação do assassinato. Tudo para montar uma farsa e proteger Flávio.
Procurados, os defensores de Flávio e Lucas não quiseram se pronunciar.
Segundo o Ministério Público, Adriano dos Santos Rodrigues, outro filho biológico da ex-deputada federal, repassou a correspondência fraudada à mãe e tinha conhecimento do plano. Flávio e Lucas vão ser julgados por um júri popular, na 3ª Vara Criminal de Niterói, região metropolitana do Rio.
Acusada de ser a mandante do crime pelo Ministério Público, Flordelis está presa, mas o seu julgamento e de mais nove réus, sete da família, ainda não foi marcado. Ela recorre da decisão do 3º Tribunal do Júri, no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
“A princípio, o impacto no julgamento da Flordelis é muito pequeno. São processos distintos. Aliás, caso a acusação tente produzir provas para o processo da Flordelis, ficará provado a absoluta má-fé e violação de preceitos constitucionais”, afirmou Rodrigo Faucz, advogado da parlamentar cassada, sobre o julgamento de Flávio e Lucas.
Outro processo sobre o mesmo enredo
Este outro processo diz que ex-parlamentar teria arquitetado o crime para tomar o poder do pastor nos negócios da família, como a administração das igrejas do Ministério Flordelis, e também da sua carreira como artista gospel. Ela responde por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, seis envenenamentos contra o marido, uso de documento falso e associação criminosa armada.
No rol dos acusados consta ainda Flávio, que responde por organização criminosa e por uso de documento falso, crime relacionado à carta enviada a Lucas supostamente escrita por Flordelis. Adriano também é réu por ter cumprido a missão de pegar a correspondência fraudada com a nova confissão de Lucas e entregado à mãe.
No enredo das investigações, a relação do pastor Anderson teria rachado com os 55 filhos porque ele manteria ainda relações amorosas no núcleo familiar. Simone dos Santos Rodrigues, filha biológica da ex-deputada, que também é ré, já afirmou em depoimento à Justiça que sofria com investidas sexuais do padrasto e confessou participação no crime.
Simone e Anderson namoram antes de ele casar com Flordelis. Simone, que tem câncer, pediu para seu julgamento ser rápido. Ela alegou ter 35 tumores, mas a Justiça ainda não se pronunciou.
O julgamento de Flávio e Lucas
Marcada para começar às 13h, a sessão de julgamento será aberta pela juíza Nearis Arce. A magistrada vai escolher, por sorteio, os sete jurados de uma lista de 25 convocados da sociedade. Pelo menos 15 têm que estar presente para seja instalada a sessão, caso contrário o juiz deve marcar nova data. Defesa e acusação possuem o direito de pedir a dispensa de três sorteados, cada.
O juiz também analisa o pedido dos jurados para não participar. Alegações como problemas de saúde, por exemplo, são levadas em consideração. Escolhidos os sete jurados, forma-se o Conselho de Sentença.
A partir daí, são ouvidas as testemunhas de acusação. O Ministério Público convocou cinco e o assistente de acusação, quatro. Depois prestam depoimento as arroladas pela defesas – os réus têm direito a cinco, cada um.
Os réus são interrogados após os depoimentos das testemunhas. Em seguida, promotor e assistente de acusação têm duas horas e meia para apresentar aos jurados sua tese; e as defesas, mais duas horas e meia para combater. Há direito a réplica e tréplica por mais duas horas, para acusação e defesa. Terminados os debates, os jurados seguem para a sala secreta e, depois, o juiz anuncia o veredito.













