Ford anuncia fim da produção de veículos no Brasil após 67 anos

Razão para o encerramento é a redução das vendas em 2020. Todos os veículos da marca terão que ser importados

atualizado 11/01/2021 19:47

Divulgação/Ford

A Ford, montadora norte-americana de veículos que começou a produção nacional em 1953, anunciou que vai encerrar a produção de carros no Brasil. A informação foi compartilhada pela empresa nesta nesta segunda-feira (11/1).

No Brasil, a organização tem fábricas em Camaçari (BA), Taubaté (SP), que serão fechadas imediatamente. Há também uma unidade em Horizonte (CE), onde são fabricados os modelos Troller, que terá operação até o quarto trimestre de 2021.

Em Taubaté, cerca de 830 funcionários estão no quadro da empresa e serão afetados pela medida. Em Horizonte, o número é de 470 trabalhadores. As informações são do portal G1.

Sobre as razões para o fechamento, a empresa citou o avanço da pandemia de Covid-19, que contribuiu para a “capacidade ociosa da indústria” e para a “redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas”. Em nota, a organização afirmou que prevê impacto de US$ 4,1 bilhões (R$ 22,5 bilhões) em despesas.

Apesar do encerramento das unidades, a companhia manterá a sede administrativa da América do Sul, em São Paulo, o Centro de Desenvolvimento de Produto, na Bahia, e o Campo de Provas, em Tatuí (SP).

“A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável”, disse Jim Farley, presidente e CEO da Ford, em nota publicada na página da empresa.

A Ford também afirmou que incluirá novos veículos ao portfólio para atender os brasileiros. Os carros serão produzidos na Argentina, no Uruguai e em outros países. Além disso, clientes do Brasil ainda poderão ter acesso ao serviço de assistência ao consumidor.

“Estamos mudando para um modelo de negócios ágil e enxuto ao encerrar a produção no Brasil, atendendo nossos consumidores com alguns dos produtos mais empolgantes do nosso portfólio global. Vamos também acelerar a disponibilidade dos benefícios trazidos pela conectividade, eletrificação e tecnologias autônomas suprindo, de forma eficaz, a necessidade de veículos ambientalmente mais eficientes e seguros no futuro”, afirmou Farley, em nota.

Impactos

Sobre os impactos aos funcionários afetados, a empresa afirmou que irá trabalhar com sindicatos e parceiros para desenvolver um plano “justo e equilibrado” que minimize as consequências do encerramento da produção.

A reportagem tenta contato com a organização para esclarecer quantos trabalhadores serão afetados pelo fechamento das fábricas, mas não obteve retorno até a última atualização deste texto. O espaço segue aberto.

Crise no setor

Em dezembro de 2020, a Mercedes-Benz anunciou que encerraria a produção de automóveis na fábrica de Iracemápolis (SP), onde eram fabricados os modelos GLA e Classe C. Até outubro do ano passado, o número de funcionários com contratos suspensos fora das fábricas de veículos chegava a 7 mil.

A razão para o fechamento da unidade também foi a crise econômica que o país enfrenta desde o início da pandemia. As vendas de veículos novos caíram 26,16% em 2020, informou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) em balanço divulgado na última terça-feira (5/1).

Esta é a primeira queda registrada pela Fenabrave desde 2016. No total, foram emplacados 2.058.315 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus ao longo de todo o ano passado. No ano anterior, em 2019, 2.787.618 veículos novos foram vendidos no país. A seguir, veja a série histórica de emplacamentos:

  • 2020: 2.058.315
  • 2019: 2.787.618
  • 2018: 2.566.234
  • 2017: 2.239.539
  • 2016: 2.050.300
  • 2015: 2.568.932

Em 2020, os números começaram a crescer apenas no segundo semestre, após o estopim da crise econômica causada pelo novo coronavírus. Dezembro, por exemplo, registrou o maior volume de emplacamentos de veículos para um mês de todo o ano.

Para o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, a baixa registrada no ano passado foi justamente por causa da pandemia. “O mercado só não foi melhor em função da crise enfrentada pelas montadoras, que tiveram problemas com falta de peças e componentes, além das regras para manter o distanciamento social nas unidades fabris”, disse.

 

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