
Após 22 anos, Renan Calheiros perde eleição para o Senado em Alagoas
Ex-presidente do Senado ficou atrás de Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB) na disputa em Alagoas
04/10/2026 21:34, atualizado 04/10/2026 21:41

O senador Renan Calheiros (MDB) perdeu a disputa por uma das duas vagas de Alagoas no Senado nas eleições deste domingo (4/10). É a primeira derrota dele para a Casa em 22 anos.
Com 97,23% das urnas apuradas, o ex-presidente da Casa recebeu 22,34% dos votos, enquanto Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara dos Deputados, teve 28,99%, e Marina JHC (PSDB), mulher do ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB), recebeu 28,03%. Os dois foram eleitos.

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Ver todasRenan terminou a disputa em terceira colocação, com 711.418 votos. O filho do senador também saiu derrotado das eleições. O candidato JHC (PSDB) registrou 51,83% dos votos válidos com 95,56% das urnas apuradas e foi eleito governador do Alagoas, ante 47,74% do ex-governador Renan Filho (MDB), que ficou em segundo lugar.
Trajetória de Renan
Renan chegou à eleição após mais de 45 anos de atuação política. Sua carreira começou no fim da década de 1970, quando foi eleito deputado estadual em Alagoas pelo MDB, então partido de oposição ao regime militar.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm 1982, elegeu-se deputado federal e, quatro anos depois, foi reeleito. Na Assembleia Nacional Constituinte, participou da elaboração da Constituição de 1988. Durante o governo Fernando Collor, exerceu a liderança do governo na Câmara dos Deputados. Posteriormente, deixou o grupo político do então presidente.
Em 1994, Renan foi eleito pela primeira vez para o Senado e tomou posse no início de 1995. Desde então, foi reeleito sucessivamente para representar Alagoas na Casa.
Entre 1998 e 1999, licenciou-se do mandato para assumir o Ministério da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Renan presidiu o Senado e o Congresso Nacional em dois períodos, de 2005 a 2007 e de 2013 a 2017.
Em 2007, enfrentou um processo no Conselho de Ética relacionado a acusações de que um funcionário da construtora Mendes Júnior teria feito pagamentos referentes à pensão alimentícia de uma filha do senador. O plenário do Senado rejeitou o pedido de cassação de seu mandato em setembro daquele ano. Em dezembro, Renan renunciou à Presidência do Senado e manteve o mandato.
Em 2016, o STF recebeu denúncia contra Renan por peculato. Naquele ano, uma decisão liminar determinou seu afastamento da Presidência do Senado, mas o plenário da Corte manteve o senador no cargo. O STF decidiu que ele não poderia substituir o presidente da República por ser réu em ação penal.
Renan presidiu o Senado durante o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2016.
Em 2021, foi relator da CPI da Pandemia, que investigou a atuação do governo de Jair Bolsonaro e outros aspectos da resposta à pandemia de Covid-19.



