Antes do parto, mães de Trindade foram confundidas no hospital

No centro cirúrgico, a equipe do hospital trocou os nomes das duas mulheres que dariam à luz naquele dia

André Borges/Especial para o MetrópolesAndré Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 01/08/2019 10:35

Enviado especial a Trindade (GO) – Quatro mulheres ficam internadas, cada uma em um quarto do Hospital de Urgências de Trindade (Hutrin), município da região metropolitana de Goiás. Naquele 9 de julho, 16 bebês nasceram na maternidade. Nesta quinta-feira (01/08/2019), serão divulgados resultados de quatro exames de DNA que indicarão a paternidade ou não dos casais.

Naquela terça-feira (09/07/2019), as histórias de Pauliana Maciel, de 27 anos, e Aline Alves, 20, se cruzam de maneira indelével. O transtorno da troca dos bebês começou antes mesmo de o parto ser realizado.

Pauliana e Aline eram as duas últimas gestantes a serem operadas naquele plantão. O hospital não realiza partos normais, somente cesáreas. O Hutrin faz o procedimento às terças e quintas-feiras.

A equipe médica levou primeiro Pauliana para o centro cirúrgico. Lá, a chamaram de Aline. As duas estavam internadas no mesmo quarto. “Eu achei estranho e falei que eu não era a Aline. Pediram para eu me sentar na cadeira, e, minutos depois, me voltaram para o leito”, conta Pauliana.

Aline ainda aguardava para entrar no centro cirúrgico. “Me colocaram no quarto novamente e levaram a Aline. Não falaram nada. Os enfermeiros a colocaram na cadeira de rodas e foram embora”, completa Pauliana.

As duas mães estavam sob efeito de remédios. Aline nem sequer acompanhou a confusão. Soube depois da troca dos bebês. “Não tem palavras para demonstrar a dor que causaram. Ter as dúvidas, imaginar, amamentar e saber que depois podem tirá-los de nós”, destaca Aline, antes de cair no choro.

A confusão entre as mães foi confirmada à polícia. Duas mulheres que ficaram internadas no mesmo quarto que Pauliana e Aline afirmaram ter percebido o imbróglio, segundo a chefe da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Trindade, Renata Vieira. “As gestantes contaram que chamaram a Aline e levaram a Pauliana. Depois, trouxeram a Pauliana e levaram a Aline”, detalha.

“Dias de horror”
Genésio Vieira, 43, marido de Pauliana, avalia que as mães têm vivido dias de horror. “Tenho medo de elas caírem em depressão. Vemos a dificuldade da Aline e da Pauliana de passar por essa situação. Quem é pai sabe como isso dói”, lamenta.

As mães temem que tenham de devolver os bebês por eles serem filhos de outros casais. “Se os exames não confirmarem que não são nossos filhos, o drama vai aumentar ainda mais. Com quem estará?”, pondera Pauliana.

Aline carrega a mesma tristeza. “Só penso na hora da troca. Tem a possibilidade de ele não ser meu. É triste olhar o rostinho dele e depois ter que por um acaso ter que entregar ele”, frisa.

Investigações
Nesta quarta-feira (31/07/2019), a Polícia Civil de Goiás ouviu servidores do hospital e conversou com os advogados das famílias. Os investigadores não acreditam na possibilidade de as funcionárias terem trocado as crianças propositalmente. Para eles, os bebês trocados foram vestidos com as roupas um do outro após o banho na maternidade. As investigações continuam.

Em nota, o Hutrin confirmou a troca dos bebês e disse que afastou quem estava trabalhando nas datas de nascimento e alta das mães e crianças. A unidade de saúde também informou que apura internamente o caso e está em contato com as famílias. O hospital não comentou a confusão envolvendo as mães no centro cirúrgico.

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