Alvo da CPI, amigo de Ricardo Barros pagou R$ 3 mi por perdão judicial

Marcos Toletino foi investigado pela Operação Ararath e será ouvido pela CPI da Covid-19

atualizado 01/09/2021 9:51

Marcos Tolentino Reprodução

Marcos Tolentino da Silva, que seria ouvido na CPI da Covid nesta quarta-feira (1°/9), é delator na Operação Ararath, em Mato Grosso. O advogado e empresário se comprometeu a pagar R$ 3 milhões aos cofres públicos para obter perdão judicial, como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo.

Amigo do líder do governo na Câmara e dono do canal TV Rede Brasil, Ricardo Barros (PP-PR), Tolentino é apontado pela comissão como sócio oculto da Fib Bank. A empresa forneceu R$ 80,7 milhões como garantia no contrato da Precisa Medicamentos com o Ministério da Saúde nas negociações da vacina indiana Covaxin.

Tolentino se tornou réu em 2016, acusado de lavagem de dinheiro em um processo que investigou a compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado. Em 2018, o empresário assinou o acordo de delação que determinou que ele não poderia sair do país sem autorização judicial.

Do total de R$ 3 milhões pago aos cofres, um terço foi destinado para a construção de um laboratório de testes da Covid-19 em Mato Grosso, após decisão judicial.

Ainda em 2014, um dos endereços de Toletino foi alvo de um madando de busca e apreensão durante a Operação Ararath. Ele virou réu na investigação pela negociação da venda de uma retransmissora de seu canal de TV em Cuiabá, em 2009.

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“Banco clandestino”

Duas empresas dele, Paz Administradora e Benetti Prestadora de Serviços, receberam quase R$ 3 milhões de firmas que faziam parte de um esquema de “banco clandestino”, alvo principal da Ararath. Segundo a acusação, o “banco clandestino” fazia operações financeiras ilegalmente, como empréstimos e cobrança de juros. A empresa também era supostamente abastecida com dinheiro de desvios de recursos públicos.

De acordo com o Ministério Público Federal, os ex-governadores Silval Barbosa, hoje delator, e Blairo Maggi, alvo de denúncia trancada na Justiça, tinham ligações com o esquema.

Os cerca de R$ 3 milhões teriam sido um pagamento de às empresas de Tolentino por uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas de um membro que iria se aposentar. O comprador ilegal foi Sérgio Ricardo de Almeida, ex-presidente da Assembleia Legislativa.

A negociação, no entanto, foi desfeita e, como “devolução” da quantia, as empresas do “banco clandestino” arcaram com a compra para Almeida da Rede Mundial de Televisão, de Tolentino.

Como o pagamento foi feito com cheques de terceiros depositados nas contas das firmas do empresário, Toletino foi acusado de “dissimular a origem, a natureza e o destino dos valores”. A acusação aponta que a quantia circulou nas empresas e foi obtida de forma ilícita.

Na delação, Tolentino disse que recebeu de Almeida cheques pré-datados emitidos por terceiros, com os quais não tinha ligação, como pagamento pela venda da emissora. Ele também alega que foi ameaçado pelo conselheiro do Tribunal de Contas. Almeida foi afastado do cargo.

O processo, segundo Justiça Federal, está na fase de diligências, etapa anterior às alegações finais.

Resposta

Em resposta à reportagem, Tolentino disse: “[O caso] corre em segredo de Justiça portanto sem a possibilidade de qualquer informação ou comentário de minha parte”. Já Almeida negou as acusações e acusou o empresário de manipulação.

Ele alega que Tolentino usou documentos falsos para explicar os valores que chegaram às contas das empresas.

Em 2020, o empresário disse que Almeida quitou a compra com valores “com vícios de origem”, mas que ele não tinha ligação com isso. Ele também afirmou que buscaria reparação indenizatória pelo prejuízo na esfera cível.

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