Alunos focam mais sem celular, mas ficam ansiosos, diz pesquisa

Estudo mostra que restrição dos celulares nas escolas amplia atenção dos alunos, mas traz desafios como tédio nos recreios e maior ansiedade

atualizado

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1 de 1 Celulares - Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

A restrição ao uso de celulares em sala de aula no Brasil veio acompanhada de uma percepção ampla de melhora no comportamento e no aprendizado dos estudantes. De cada 10 alunos, 8 afirmam prestar mais atenção nas aulas, é o que revela uma pesquisa da Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com a Equidade.info, publicada nessa terça-feira (23/9).

Apesar disso, a ausência dos aparelhos gerou novos desafios: 4 em cada 10 alunos relatam sentir mais tédio ou inquietude durante os intervalos ou recreios. Além disso, 49% dos professores relataram aumento da ansiedade entre os alunos devido à restrição.

O estudo, que investigou a adaptação à restrição do uso de celulares nas escolas brasileiras, ouviu 2.840 alunos, 348 professores e 201 gestores em todas as regiões do país, entre maio e julho de 2025.

A sensação geral é de que a restrição trouxe melhoras no foco e nas interações sociais. Entre os alunos, 83% dizem estar mais atentos às aulas. Essa percepção é ainda maior nos anos iniciais do Ensino Fundamental I, que vai do 1º ao 5º ano, com 88% afirmando prestar mais atenção nas aulas, enquanto no Ensino Médio a percepção de melhora ficou em 70%.

No entanto, a ausência dos aparelhos trouxe novos desafios comportamentais: sensação de tédio nos momentos de recreio, dificuldade de comunicação com familiares durante o período escolar e quadros de ansiedade pela ausência do dispositivo.

Segundo a pesquisa, esses efeitos são particularmente evidentes entre adolescentes do Ensino Médio e alunos do período integral – apontados, ainda, como os que mais burlam as regras e utilizam os aparelhos de forma escondida ou ignorando as normas.

“Percebemos avanços claros no foco e na atenção dos alunos nesse novo levantamento, especialmente nos anos iniciais. No entanto, identificamos que os desafios são maiores no ensino médio, onde a ansiedade e o tédio sem o celular são mais presentes. Ou seja, a conclusão é que a restrição foi positiva, mas sozinha não basta: as escolas precisam criar alternativas de interação e estratégias específicas para cada idade”, afirma Claudia Costin, presidente do Equidade.info.

Além dos desafios por faixa etária, os resultados da pesquisa também reforçam a necessidade de estratégias diferenciadas por rede de ensino: alunos de escolas municipais demonstram maior conformidade com as normas de restrição do celular e apresentam melhor adaptação às regras de restrição, enquanto estudantes de instituições privadas apresentam mais resistência, recorrendo ao uso escondido dos aparelhos.

A Lei nº 15.100/2025, que proíbe o uso de celular em escolas, foi sancionada em janeiro deste ano, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após aprovação no Congresso Nacional.

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