Acusado de matar sem-terra doa R$ 100 mil para partido de Bolsonaro

Fazendeiro do Pará denunciado por crimes ocorridos em 1998 disse que atendeu pedido de político condenado por forjar atentado contra si

atualizado 15/09/2022 9:39

Jair Bolsonaro faz ato de campanha em São José dos Campos. São José dos Campos(SP), 18/08/2022 Fábio Vieira/Metrópoles

Um fazendeiro denunciado por suposta participação nos assassinatos de dois sem-terra no Pará integra a lista de representantes do agronegócio que fizeram generosas doações ao partido do presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta eleição.

Lázaro de Deus Vieira Neto, 64 anos, fez uma transferência de R$ 100 mil para uma conta bancária do diretório nacional do Partido Liberal no dia 6 de junho, durante o período de pré-campanha, e um Pix de R$ 1 mil direto para a campanha à reeleição de Bolsonaro.

Conhecido como “Lazinho”, o fazendeiro é réu na Justiça do Pará, acusado de envolvimento nas execuções de dois líderes do Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST) na cidade de Parauapebas, em abril de 1998.

Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), um grupo de fazendeiros executou a tiros os sem-terra Onalício Araújo Barros, conhecido como “Fusquinha”, e Valentim Silva Serra, o “Doutor”, após a reintegração de posse de uma fazenda invadida pelo MST na cidade localizada na região da Serra dos Carajás.

Lazinho responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver junto com outros seis acusados. De acordo com o MP, após a execução, os fazendeiros embrulharam o corpo de um dos sem-teto em uma lona e o desovaram a dez quilômetros do local do assassinato.

A defesa dele tentou, sem sucesso, anular a denúncia com vários recursos na Justiça do Pará e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando que a acusação trazia “versões impossíveis e contraditórias” e que não descrevia a conduta indiividual dos suspeitos nos crimes.

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O fazendeiro perdeu os recursos e aguarda desde 2018 o julgamento no Tribunal do Juri. Na decisão que deu prosseguimento à denúncia, o juiz Ramiro Almeida Gomes, da 2ª Vara Criminal de Parauapebas, apontou “indícios suficientes de autoria e de materialidade do delito”.

Ao Metrópoles Lazinho afirmou ser inocente e disse que não estava no local do crime quando os sem-terra foram assassinados. “Eu fui envolvido por ser conhecido aqui na região, mas eu nem estava lá presente”, disse o fazendeiro, que aguarda o julgamento em liberdade. Segundo ele, foi a presença de um homônimo no local que gerou a confusão.

Em 2005, ele chegou a prestar depoimento na CPI da Terra no Senado sobre os crimes e negou as acusações. Durante a campanha de 2018, em visita ao Pará, Bolsonaro defendeu os policiais presos pela morte de 19 sem-terra no episódio que ficou conhecido como massacre de Eldorado do Carajás, em 1996.

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, Lazinho disse que fez a doação de R$ 100 mil ao diretório nacional PL a pedido do presidente do partido na sua cidade, Julio Cesar Araújo Oliveira, que ficou conhecido em 2020 por forjar um atentado a tiros contra si para tentar se eleger prefeito de Parauapebas.

A ideia de Julio Cesar, bolsonarista aguerrido nas redes sociais, era provocar um efeito eleitoral semelhante ao da facada contra Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. Em julho deste ano, ele foi conenado pelo atentado fake e declarado inelegível pela Justiça Eleitoral do Pará. Ainda assim, concorre a deputado estadual pelo PL.

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