metropoles.com

A descarbonização é peça-chave para desacelerar o aquecimento global

A busca pela economia de baixo carbono traz consigo uma série de benefícios e o Brasil tem a oportunidade de liderar esse processo

atualizado

Compartilhar notícia

Oferecimento:
Oferecimento: Ambipar
Reprodução/Pinterest
foto colorida de caminhão e fumaça
1 de 1 foto colorida de caminhão e fumaça - Foto: Reprodução/Pinterest

Modernização do transporte público, hidrogênio verde, desenvolvimento sustentável. Um número sem fim de conceitos, tecnologias e ideias que estão, em resumo, sob o guarda-chuva de um processo chamado de descarbonização.

Contudo, para falar em descarbonização, é preciso fazer um rápido retrospecto da história sócio-econômica e conceituar como o planeta alcançou o atual estágio de crise climática.

“O aumento da temperatura vem acontecendo após o período da revolução industrial, com uso de fontes de energia como o carvão mineral e, posteriormente, o petróleo e gás. A extração, produção e o uso deles causa emissão de gases de efeito estufa, como carbono e metano”, explica o professor Mario González, coordenador do grupo de pesquisa Creation-Energias Renováveis e Power-to-X da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

“A descarbonização vem em função de como fazer com que não aconteça mais emissões de CO² ou de metano para desacelerar o aquecimento global”, complementa.

Em essência, a descarbonização visa a reduzir ou eliminar a dependência de combustíveis poluentes, principalmente com a substituição de carvão, petróleo e gás natural por fontes de energia como eólica, solar, hidrelétrica e, mais recentemente, o hidrogênio verde.

Oportunidade

A busca pela economia de baixo carbono traz consigo uma série de benefícios. Primeiro, o combate às mudanças climáticas, aliada à preservação dos ecossistemas, além do impulsionamento de um desenvolvimento sustentável, com a aplicação de novas tecnologias.

Para isso, na avaliação do professor González, o Brasil tem uma oportunidade de liderar esse processo a nível mundial, como já se discute em âmbitos nacionais e internacionais, mas não pode perder o bonde da história.

“Se deixarmos esse cavalo selado passar, outros lugares podem subir nele. África e Austrália também reúnem boas condições naturais para a produção dessas energias verdes e seus derivados.Não tanto quanto o Brasil, mas se reunirem condições políticas e de infraestrutura, especialmente políticas, podem nos superar e começar primeiro esse processo, nos retirando oportunidades”, pondera.

Para o professor, o caminho do Brasil deve ser o de “neoindustrialização” da economia, na esteira das vantagens que o país tem, em especial na geração de energia a partir de fontes renováveis.

Segundo ele, o potencial brasileiro atual é de, a partir da geração limpa, ter 17x do que consumiria em energia. Uma realidade distante da alemã, por exemplo, que só chegaria a ter 15% do consumo potencial gerado por fontes renováveis.

“O custo de produzir eletricidade da fonte eólica no Brasil é um dos mais baixos do mundo. Além dele descarbonizar sua indústria, o Brasil poderia exportar produtos verdes, devido ao preço competitivo da eletricidade de fonte renovável barata e abundante”, ressalta.

“Produtores verdes”

Entre os exemplos de potencial de reversão industrial e de “produtos verdes”, o pesquisador cita a área da siderurgia. O Brasil está entre os grandes produtores e exportadores de minério de ferro. O setor siderúrgico, a nível mundial, é responsável por quase 7% das emissões de CO².

“É muito alto. Agora, se há outra rota tecnológica que pode ser utilizada, por exemplo, para termos o minério de ferro, então por que não atrair siderúrgicas com essa rota tecnológica para produzir, com a matéria-prima que temos abundante no Brasil e o hidrogênio que temos abundante?,” questiona.

“Então, seríamos o próprio fornecedor para as fábricas desses componentes, que, por sua vez, quando instalados no ambiente marítimo, estariam utilizando esses componentes para gerar eletricidade. Estaríamos tratando a descarbonização em si”, acrescenta, levantando a pauta do hidrogênio verde e da geração eólica offshore.

Nessa linha, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu, no dia 24 passado, a primeira licença prévia para um projeto de energia eólica offshore no Brasil.

O empreendimento pioneiro será implantado na área de testes do litoral do município de Areia Branca, na costa do Rio Grande do Norte.

A licença vem sendo analisada desde 2017, a partir de um trabalho iniciado pela seção local do Senai, em parceria com outras entidades.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?