Bolsonaro no melhor da sua forma

A última palavra é do DNA

atualizado

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Jair Bolsonaro
1 de 1 Jair Bolsonaro - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Ronaldo Caiado (União Brasil), governador reeleito de Goiás, terminou a campanha no primeiro turno convencido de que não deveria apoiar nenhum candidato a presidente no segundo turno, assim como não apoiara no primeiro. Fazia sentido.

Não apoiaria Lula porque ideologicamente sempre foi seu adversário. Não apoiaria Bolsonaro porque, como médico que é, distanciou-se dele na pandemia. Para completar, Bolsonaro lançou um candidato em Goiás para atrapalhar a vida de Caiado.

E não só: Bolsonaro foi a Goiás algumas vezes durante a campanha renovar o apoio ao seu candidato, sem desautorizar os ataques furiosos feitos por ele a Caiado. Mas, DNA é DNA. Logo, Caiado se apresentou e declarou apoio a Bolsonaro no segundo turno.

Foi uma tarefa dura a dos políticos que cercam Bolsonaro convencê-lo a comportar-se com moderação até aqui. Ou melhor: até ontem. O verdadeiro Bolsonaro, brigão e que facilmente se descontrola, deveria ser deixado atrás da porta.

Recomendável seria reviver o Jair Paz & Amor, criação de Michel Temer para ajudar Bolsonaro a recuperar-se do 7 de setembro de 2021, quando ele chamou de “canalha” o ministro Alexandre de Moraes e disse que não mais iria obedecer a ordens judiciais.

O Jair Paz & Amor durou além do que se supunha, mas acabou na coxia. Recentemente, Bolsonaro voltou a incorporá-lo para reduzir a vantagem de Lula nas pesquisas de intenção de voto. Humildemente, desculpou-se até pelos palavrões que diz.

Parou de bater na justiça. Parou de insinuar que se recusaria a aceitar os resultados da eleição se lhe fossem desfavoráveis. Esqueceu o golpe. E parou de falar mal das urnas eletrônicas. Como falar mal delas e pedir aos seus devotos que fossem votar?

Mas, sabe-se como é: nada mais poderoso do que o DNA, e ele triunfou outra vez. Depois de dois dias de celebrações com governadores que lhe foram dar uma força, Bolsonaro explodiu em cólera e protagonizou um espetáculo memorável.

Aos berros, num salão do Palácio do Planalto, agrediu com pesados insultos Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal, Lula e todos os demônios que não o deixam dormir em paz. Dormir em paz é força de expressão porque ele dorme pouco e mal.

Por que agiu assim? Ora, porque em estado bruto ele é assim. E porque não gostou de ver nas redes sociais vídeos antigos onde admite ter dado “sopapos” em mulheres, e que por pouco não comeu carne humana cozinhada por índios na Amazônia.

Não gostou também de ter visto o ministro Paulo Guedes, da Economia, em vídeo do ano passado, elogiar Lula por empregar bem o dinheiro quando governou o país. A esquerda aprendeu com o bolsonarismo as técnicas de combate nas redes sociais.

Na antevéspera, Bolsonaro atribuiu a votação obtida por Lula no Nordeste ao analfabetismo dos brasileiros que vivem lá. Não adiantou, depois, referir-se aos nordestinos com carinho, posar com chapéu de vaqueiro e dizer-se um autêntico “cabra da peste”.

Nordestino não vota em chapéu de vaqueiro. Nem em que se exibe montado em jumento. As pequenas motos substituíram o jumento. “Cabeça chata” é uma ofensa. De resto, há nordestino em todo lugar, especialmente em São Paulo, e Bolsonaro precisa deles.

Precisa que parte deles que votou em Lula no primeiro turno fique em casa no segundo. Um aumento da abstenção no Nordeste tiraria preciosos votos de Lula. É possível, porém, que aconteça justamente o contrário. E, aí, tchau e benção, Bolsonaro.

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