Na era da informação, é preciso experimentar a privacidade e a solidão

Dar um passeio tranquilo sozinho no meio do mato, sentar-se calmamente em uma cadeira ou deixar a mente vagar são exemplos de como chegar lá

atualizado 19/03/2019 10:47

INDIGO

Estamos vivemos na era da informação. Desde o primeiro momento do nosso dia, somos bombardeados por todo tipo de estímulos e novas conexões que transbordam nosso “HD” a um nível estratosférico. Nossa mente nunca foi tao estimulada.

Ao longo dos anos, nós criamos um estilo de vida frenético onde nosso objetivo é ser o mais eficiente possível. Não desgrudamos dos nossos smartphones e estamos cada vez mais irritados e impacientes. Desenvolvemos o vicio de informação e queremos acompanhar tudo sob pena do que os psicólogos chamam de FOMO (Fear of missing out) ou medo de perder algo.

Todo esse vasto mundo da informação engloba imagens, vídeos, lançamentos pessoais, as comunicações e as mensagens de texto, e-mails, sites, notícias falsas e notícias reais e a quantidade gigantesca de informações sobre todos os assuntos imagináveis. Basta.

Se não desperdiçarmos nosso tempo, em pouco tempo teremos uma sociedade cada vez mais doente e desconectada. Sim, estamos perdendo a conexão interna, com nós mesmos e a fonte de tudo o que é.

É preciso restabelecer uma sensação de clareza mental e calma, experimentar uma sensação de privacidade e solidão e oferecer a si próprio um tempo para reflexão e contemplação. Alguns bons exemplos de “desperdiçar tempo” seriam: dar um passeio tranquilo sozinho no meio do mato, sentar-se calmamente em uma cadeira e simplesmente deixar a mente vagar, ter um jantar agradável com amigos, jogar um jogo ou fazer uma atividade apenas para diversão tudo isso claro, sem o celular do lado.

Cada uma dessas atividades exige que você se desvincule por um curto período de tempo das demandas de sua vida acelerada, permitindo que você crie uma sensação de quietude dentro de si mesmo.

Platão ja falava da importância de se reservar um tempo ao que ele chamava de dialogo interno, ou divinus ócius, que no contexto dos dias atuais, é justamente desconectar de tanta informação e dar um tempo para a mente descansar e desopilar alguns “bites”. Seria um encontro diário consigo.

Segundo o Professor Alan Lightman em seu novo livro “In Praise of Wasting Time” para o site Goop, permitir que a mente vagueie livremente inflama a criatividade, é necessário para o descanso mental e promove a liberação de nosso eu interior. “Por “eu interior”, quero dizer aquela parte de nós que imagina, que sonha, que perambula pelos corredores da memória, que pensa sobre quem somos e para onde estamos indo e o que é importante para nós. Precisamos de tempo para o nosso eu interior sintetizar nossas auto-identidades e reabastecer nossas mentes. Todas essas atividades requerem um tempo de silêncio quando não estamos conectados à rede elétrica”.

Houve um estudo concluído em 2011 chamado “The Creativity Crisis”- a crise da criatividade, que detalhou como nossa criatividade diminuiu desde meados dos anos 90. Existem outros estudos que documentaram um aumento na depressão e problemas de saúde mental entre os jovens, parcialmente atribuídos à alta velocidade do nosso estilo de vida e hiperconectividade.

Ao longo da história, artistas, cientistas e pensadores realizaram alguns de seus trabalhos mais criativos durante o tempo de inatividade, quando deixaram suas mentes vagarem livremente sem um objetivo ou um cronograma. Albert Einstein, Carl Jung, and Gertrude Stein, para citar alguns, eram adeptos do divinus ócius de Platão, onde conseguiam extrair ao máximo seu potencial criativo.

Em sua autobiografia de 1949, Albert Einstein descreveu como seu pensamento envolvia deixar sua mente vagar e fazer conexões entre conceitos previamente desconectados. Einstein escreveu: “Para mim, é inquestionável que nosso pensamento continue em um grau considerávelmente inconsciente”.

Portanto, tente, a cada dia, deixar o celular de lado e ir dar uma volta, desconecte-se dele durante os jantares, fins de semana, desenvolva o habito de sentar em silencio sem qualquer estimulo. Perca tempo e ganhe vida. Coragem.

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