Curta Fernando de Noronha, um paraíso preservado

Não é, nem de longe, uma viagem acessível. Mas, se tiver oportunidade, não deixe de conhecer essa ilha mágica

Bela Lima

atualizado 21/08/2018 11:22

Quem visita Fernando de Noronha não imagina que esse paraíso funcionou como uma prisão entre os anos de 1737 e 1942, logo depois que Portugal decidiu acabar de vez por todas com as invasões estrangeiras à ilha. Presos principalmente por homicídios, falsificação de moedas, desordem pública e crimes políticos e militares, eles pareciam estar de férias. Tinham permissão para ir à praia, pescar, possuíam casas, alguns podiam levar as famílias para morar no local. Os muros eram o próprio oceano, visto que o pedaço de terra mais perto é a cerca de 300km da ilha.

Curiosidades à parte, sempre tive vontade de conhecer esse paraíso tão preservado e com ecossistema abundante. Apesar de não ser tão simples realizar esse sonho — só existem voos diretos de Natal e Recife, o valor das passagens é sempre alto, pagam-se algumas taxas para entrar e permanecer na ilha e os hotéis e restaurantes geralmente são bem caros –, enfim, consegui ir.

A primeira coisa a se fazer depois de comprar as passagens é pagar a taxa de permanência na ilha pela internet. Isso vai salvar bastante seu tempo ao chegar no aeroporto. Geralmente, tem três filas: para quem pagou on-line, para quem deseja pagar em dinheiro e, a mais longa, para quem vai pagar no cartão. Em alta temporada a fila pode demorar bastante. Seja precavido(a) e prepare-se para o valor da taxa. Paguei R$ 290,00 para ficar na ilha por quatro dias.

O próximo passo é escolher onde irá se hospedar. Indico a pousada Dolphin para quem procura conforto, espaço, boa localização e preços mais acessíveis se comparado com a maioria das ofertas. Se der para escolher, prefira o quarto 22, ou Vila Eko. Totalmente privativo, com vista para a vegetação tropical e para o morro do pico, varanda, superespaçoso, cama king size, banheiro grande, chuveiro bom, toalhas e roupas de cama brancos e de qualidade, amenities loccitane, secador, máquina de café expresso, frigobar e decoração clean, com madeira e cor verde para combinar com a vegetação.

A localização da pousada Dolphin é a mais central possível, na rua principal, perto de tudo, já que a ilha é bem pequena. O staff é sempre gentil e o café da manhã oferece fartas opções: bolos, pães, frutas, sucos variados, frios, ovos, tapiocas, crepiocas, sanduíches e muito mais. Além disso, há três piscinas na pousada, sendo duas de hidromassagem, perfeito para quem chega dos passeios e quer relaxar. Indico de olhos fechados.

Em relação às praias, a que mais curto é a Praia da Conceição. Não por ser a mais bonita, mas por ter estrutura. Cadeira de praia, guarda-sol, cerveja e petisco, não consigo resistir. Indico o bar Duda Rei para quem, como eu, não abre mão de uma boa estrutura. Além disso, a praia é linda e é sempre possível avistar golfinhos de lá.

Logo ao lado fica o Bar do Meio, famoso pelos drinks e forró ao vivo. Minha segunda praia preferida é a Praia do Bode e Cacimba do Padre para se deleitar com o pôr do sol e o Morro Dois Irmãos. Para mim, é o melhor programa de Noronha. É simplesmente mágico e as fotos ficam surreais.

Para quem gosta de aventura, vale muito a pena mergulhar e se surpreender com a variedade de espécies marinhas na ilha. Aliás, passear por Noronha é ter, a cada instante, uma aula de biologia. É possível avistar as mais diversas espécies de fauna e flora. Um paraíso natural.

Bela Lima

Comer em Noronha é uma delícia. Há diversas opções para quem curte gastronomia nordestina e internacional. Indico o Xica da Silva para quem curte uma comida caprichada. O combo arroz-feijão-farofa-vinagrete de lá é delicioso.

Para um jantar mais romântico, o Varanda, do Zé Maria, é uma ótima opção. Comida muito saborosa. Para curtir um almoço ou jantar com boa vista, a melhor opção é o mergulhão. Não conheci o famoso festival gastronômico na pousada Zé Maria, portanto, não posso opinar. Para quem é vegetariano, ou curte lugares com pegada orgânica e saudável, o Bio Comidas Saudáveis é a única opção. O lugar é uma graça e a comida uma delícia.

É importante saber que, além da taxa de permanência, é necessário fazer um cartão para entrar no parque marinho, onde fica a maioria das atrações, como a Praia do Sancho, Baía dos Porcos, entre outros.

Para curtir melhor a ilha, o ideal é alugar um 4×4 ou buggy, como é bem comum por lá. Mas preparem-se para as tarifas. O aluguel custa, em média, R$ 300,00 por dia.

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A dica final é levar dinheiro, pois em alguns lugares não aceitam cartão e, em outros, pela dificuldade de conexão, geralmente estão fora do ar. Lembrando que na ilha tem apenas caixa eletrônico de dois bancos.

Não é, nem de longe, uma viagem acessível, mas se tiver a oportunidade, não deixe de conhecer essa ilha mágica e de beleza incomparável. Vale muito a pena. Até breve, Noronha.

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