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A Saborella não é só sorvete. Basta abrir o cardápio e usufruir o que ele proporciona. Os gelatos, é verdade, são um capítulo à parte: brilham na cidade desde 1995, quando o estabelecimento abriu oferecendo um produto feito com matérias-primas de alta qualidade.

O mais interessante (e raro) nesse mundo tão imediatista da gastronomia é a expansão de sua oferta de maneira pensada e estruturada. Uma casa que tem sua marca registrada como uma sorveteria de grife, como a Saborella, poderia se contentar com esse título.

Mas seus donos foram além. Pensaram em oferecer lanches leves, para o momento pré-sorvete. E acertaram na mosca. Vou me ater à sede na Asa Norte, onde é servido o maravilhoso tacacá (R$ 37,00) – um prato típico do Pará feito com goma de mandioca, tucupi, jambu e camarões. Preparo de origem indígena feito com muito esmero pela casa.

O caldo vem quentinho, excelente para as noites friorentas que vem fazendo em Brasília. Além disso, a proporção entre goma e caldo de tucupi é perfeita. O jambu dá aquela adormecida na boca e os camarões completam o salgadinho que o prato tem de ter.

As empadas, de camarão ou de frango (R$ 9,50 – cada), são ótimas pedidas para começar. A “massa podre” é caseira, parece que você está comendo um quitute da sua avó. Porém, o recheio, bem temperado, veio frio nas duas vezes que comi.

Os lanches leves são a marca do cardápio salgado. Omeletes, panquecas, tapiocas e sanduíches desfilam com propriedade. A panqueca mista (R$ 18,50 sem salada e R$ 29 com salada) tem massa fina e chega à mesa recheada de carne moída e berinjela. Ótima pedida para um almoço ou jantar leve. As folhas vêm frescas e tenras com tomatinhos cerejas. Faltou um pouco de sal e tempero, mas não comprometeu o resultado final.

Os sanduíches são ótimos (entre R$ 31 e R$ 35). Os de que mais gostei foram o de carne moída (R$ 33) e o de lagarto desfiado (R$ 33). Pães quentinhos, saladas fartas de acompanhamento e carnes macias e saborosas. Um pouquinho a mais de tempero não iria mal.

A omelete de alho poro com queijo gouda e cebola (R$ 35) estava excelente. Quentinha, macia, bem feita e “recheada” na medida. Sei que não é barato, mas a qualidade da entrega faz você pensar duas vezes em reclamar do que está comendo.

Os sorvetes… ah, os sorvetes. Os melhores da cidade. Aliás, um dos mais gostoso que já tomei pelas minhas andanças Brasil afora. O de pistache é incomparável com qualquer um de Brasília. A bola custa R$ 14. Um pouco caro, mas vale muito a pena. Ele mescla o doce e o salgado numa leveza de deixar a boca salivando só de escrever.

Outro sabor famoso é o de tapioca. “As bolinhas” saltam na boca como pequenas saliências cremosas e sutis ao mesmo tempo. Seria capaz de passar horas falando da qualidade e do amável sabor dos sorvetes da Saborella, como os de chocolate de São Thomé, ameixa, avelã do Piemonte. É quase impossível comer apenas uma bola.

Definitivamente, estar no Saborella é saber que sairei de lá feliz. Pela qualidade da entrega. Pelo atendimento simpático e atencioso. Pela certeza de que para fazer bem feito, qualquer estabelecimento precisa respeitar muito o cliente.

Cortês sim; omissa, não.

Devo ir?
Sim.

Ponto alto:
Sorvetes e comidinhas

Ponto fraco:
Mesas e cadeiras poderiam ser mais charmosinhas

Saborella
Na 112 Norte, bloco C, loja 38. Telefone: (61) 3340- 4894. De segunda a domingo, das 12h às 22h