O Grego, no fim da Asa Norte, é bom, simples e autêntico
No restaurante da Asa Norte, é possível vivenciar a simplicidade de uma comida original e autêntica, feita de maneira familiar. A simplicidade também marca o ambiente, praticamente espartano
atualizado
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Brasília tem um restaurante grego. Até onde eu me lembre, talvez o único nos 56 anos da história da capital. O Grego também deve ser um dos pouquíssimos do gênero no país, ao lado do famosíssimo Acrópoles e do badalado Myk, ambos em São Paulo.
Quando soube que o casal – o grego Antonios Iliopoulos e a brasileira Fabiana Cunha – havia inaugurado o local, em agosto de 2014, fiquei animadíssima, já que adoro esse tipo de comida. Ela é confortável, envolve o paladar e, como uma das representantes da culinária mediterrânea, guarda muitas semelhanças com os sabores da Itália, Oriente Médio, Turquia e Balcãs.
De início, o restaurante fez bastante sucesso, atraindo a comunidade grega e os apreciadores de tal gastronomia. Cheguei a assistir por lá apresentação de música típica ao vivo. Não que goste do som, mas estava feliz de participar deste momento na cidade. A comida era servida em boas porções, as carnes vinham quentinhas e bem temperadas no prato e os sabores, autênticos.
Não sei se por conta da crise, a casa — que servia à la carte no almoço e no jantar – mudou a forma de atendimento. Agora, só abre para almoços: em sistema self-service (R$ 42 o quilo) de terça a sexta, e à la carte aos sábados e domingos. Uma pena!
No Grego, é possível vivenciar a simplicidade de uma comida original e autêntica, feita de maneira familiar. A simplicidade também marca o ambiente, praticamente espartano. Mesas e cadeiras de madeira, sem nenhuma firula.
No sistema self-service, o restaurante parece uma taverna típica das que encontramos na Grécia, nas quais os pratos ficam expostos à espera da escolha dos clientes: saladas, pastas, vegetais recheados, cozidos de carnes e legumes, mussaka… Por isso, em regra, a comida se conserva no máximo morna. Nunca estará quente.
Não deixei de frequentar O Grego por conta disso, já que a vantagem do self-service é que você pode comer um pouquinho de cada coisa. É claro que, quando quero que a comida seja feita só para mim e na hora, vou aos sábados, dia em que é possível pedir à la carte.
As pastinhas — todas, sem exceção — são saborosíssimas e ficam na primeira mesa. Usualmente, são quatro: o tzatziki, feito com iogurte, alho, pepino, endro, azeite e vinagre; o tirokafteri, à base de queijo tipo feta, cebola, pimentão, páprica e azeite; o melitzanosalata (pasta de berinjela) e a skordalia, creme de batata, alho esmagado, azeite e limão. Não deixo de comer nada, mas as minhas prediletas são a skordalia e a de pimentão, por conta da picância da páprica. Ao lado, ficam os pães sírios, nem sempre quentinhos.
Nesta mesma mesa, dois tipos de salada: a grega, com todos os ingredientes a que tem direito, e uma versão menos incrementada para quem não gosta de cebola ou pimentão, por exemplo. Mas ali mesmo há azeitonas e mais pepinos para os greek salad lovers como eu turbinarem seus pratos. A dona conta que o queijo tipo feta vem do Rio Grande do Sul, mas o sabor intenso característico do leite de cabra ou ovelha passa longe no meu paladar.
Esta primeira mesa – que mais parece uma bancada de prazeres – ainda guarda outras surpresas: as tyropitas, espécie de pastelzinho de massa folhada, bem crocante, que podem vir recheadas de queijo feta e ricota ou com espinafre. Quando a fornada quentinha sai, avanço nelas discretamente para garantir a mordida crocante. É claro que, à medida que esfriam, vão perdendo a textura e um pouco de sua graça, na minha opinião.
Há uma bancada com compartimentos onde estão os pratos “quentes”. Mais uma vez, pode ser força do hábito de adorar comida bem quente, mas eles não estão em temperatura elevada como gosto. Apesar disso, as abobrinhas e berinjelas recheadas com carne temperada e queijo tipo feta, o coxão duro cozido com molho de tomate com cominho, os delicados bolinhos de carne no molho de tomate e o ensopado de batatas e outros vegetais compõem um universo de sabores na boca. O Grego não economiza nos especiarias mediterrâneas, o que é boa notícia para quem curte carne, porco, frango e vegetais bem temperados.
Para finalizar, antes de pesar o prato, vem o que deveria ser o grand finale, o símbolo maior da gastronomia grega: a senhora mussaka – uma espécie de lasanha feita com carne moída, abobrinha, berinjela e batata sob creme branco gratinado.
Na mussaka d’O Grego, a carne é tenra, leva um pouco de canela e, numa mesma garfada, você sente o sabor de todos os vegetais e do molho. O sabor é bom, mas seria muito, muito mais prazeroso comê-la se estivesse quente.
Cortês sim; omissa, não.
DEVO IR?
Sim. Para um almoço despretensioso.
PONTO ALTO:
O sabor autêntico da culinária grega e mediterrânea.
PONTO FRACO:
Às vezes, a comida não é servida quente como deveria. Detesto isso.
216 Norte, Bloco A, Loja 24, 3024.9290.
