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Se algo me impressionou na minha temporada na Escandinávia foram os pães! Com exceção da França, não encontrei nada tão saboroso em outros cantos do mundo. Com a manteiga batida na hora – um hábito na região – não existe nada mais sublime. Trocaria mil refeições no Noma por mais uma fatia de pão com manteiga em qualquer boa padaria da Suécia ou da Dinamarca.

O segredo de tanto sabor só descobri depois: naquele pedacinho do globo, os pães são preparados com fermento natural. Nada de fermento químico, aquele pó Royal. Nada de fermento biológico. Por meio de um processo simples, porém trabalhoso, o padeiro produz o seu próprio fermento (ou levain, como preferem os franceses), que resulta em pães com sabor mais ácido e textura característica, a que os povos de língua inglesa denominam sourdough.

Foi com muita expectativa, então, que recebi a notícia da inauguração do Dylan Café & Bakery. Esse estabelecimento, filho de um brasileiro com uma argentina que se conheceram na Austrália, prometia ser a primeira padaria de Brasília que produzia todos os pães à base de fermentação natural. E, posso dizer, com toda certeza, que não me decepcionei.

Se vendessem só baguete ali já estaria de bom tamanho. Mas o padeiro, que é a parte brasileira do casal de proprietários, é criativo demais para ficar no básico. Além da baguete, faz pão de centeio, multigrãos, integral com figos turcos, ameixas e castanha do Pará e o saboroso pão de azeitona com alecrim e limão siciliano.

Não é de se espantar que o local atraia muitos estrangeiros. Pela qualidade e pelo alto padrão de entrega da comida.  O Dylan oferece representantes da culinária de vários países: focaccias e pizzas da Itália; os bagels e cookies tão caros aos americanos; o café da manhã australiano composto de ovos mexidos, tomate assado, espinafre sauté, cream cheese, torrada sourdough e fatias de salmão defumado; e o meu favorito, o brioche, que não deixa nada a dever aos de Paris: um pão supermacio, com seu adocicado característico, mas que conserva o azedinho típico dos pães feitos com levain.

Ali, até árabes e judeus convivem bem, pois na mesma vitrine se encontram pães feitos com za’atar (uma mistura de especiarias muito usada no oriente médio) ao lado de sanduíches de bagel recheado com salmão defumado e sanduíches de pastrami – apreciadíssimos por judeus americanos.

O que atrai estrangeiros também é uma combinação de fatores rara de se encontrar em Brasília, como um ambiente descolado, o rock ‘n roll na caixa de som, a produção limitada de pães para que os produtos estejam sempre frescos, o atendimento atencioso e cordial da sempre sorridente e cortês Mariela (a parte argentina do casal de proprietários) e a preocupação com a alimentação saudável, já que, ademais de tudo que foi descrito acima, ainda há cuscuz marroquino com vegetais, sanduíches veganos, saladas de frutas e geleias preparadas na casa.

Agora, para as formiguinhas de plantão com eu, não há como resistir às tarteletes nem aos muffins com combinações pra lá de sofisticadas, como o de pera com chocolate.

O Dylan é o tipo de local que faz diferença na capital. Às vezes, sonho acordada acreditando que casas como essa se tornaram cada vez mais frequentes em Brasília. O Dylan é de tirar o chapéu.

DEVO IR?
Sempre. Ou, se não for, leve pra casa!

PONTO ALTO: 
Ambiente e brioche!

PONTO FRACO:
Não ter brioche todo dia…

315 Sul, Bloco A, Loja 15, 3363-1294