Japas Matsurika! Uma Bohemian Pilsner brasileira com sotaque nipônico

Produzida por quatro mulheres descendentes de japoneses, ela é feita com flocos de arroz e jasmim. E mostra como uma cerveja “simples” pode ser mais complexa do que estamos acostumados

atualizado

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matsurika
1 de 1 matsurika - Foto: Divulgação

Os olhos puxados das quatro cervejeiras explicam o nome impresso no rótulo. Maíra Kimura, Fernanda Ueno, Carolina Okubo e Yumi Shimada formam o quarteto maravilha da cervejaria Japas!
Antes de se aventurarem por fermentadores parceiros, elas trabalharam em cervejarias conhecidas, como a Colorado, a Invicta e a 2Cabeças.

Em 2014, apareceram para o mercado com produção própria: lançaram uma American Pale Ale com wasabi que arrancou suspiros Brasil afora. Este ano, voltaram a brilhar com a Matsurika, uma Bohemian Pilsner feita com flocos de arroz e jasmim – aliás, o nome dessa flor em japonês é matsurika.

Reconhecemos que não é fácil encontrar cervejas brasileiras desse estilo interessantes o suficiente para serem comentadas. Esta japa, no entanto, ganhou nossos corações. O líquido dourado e reluzente fica ainda mais sedutor com a espuma cremosa no topo da taça.

Aromas agradáveis de biscoito de arroz e de flores recebem pitadas de pão vindas do malte Pilsen. O cheirinho de jasmim brinca com o degustador, mostra como uma cerveja “simples” pode ser especial e mais complexa do que estamos acostumados. Levíssima e muito refrescante, revela amargor sutil, quase inexistente.

Perfeita para comidinhas de boteco, para os dias de jogar conversa fora e de respirar aliviado depois de uma semana puxada. Para harmonizar, bolinho frito de arroz com mandioca é alegria na certa.


Bohemian pilsner x German pilsner
Josef Groll, cervejeiro alemão (bávaro) do século 19, nunca imaginaria que o trabalho encomendado por uma cervejaria em Pilsen (República Tcheca) fosse mudar a história da bebida para sempre. Assim que chegou à cidade, em 1838, ele encontrou ingredientes e condições formidáveis à disposição: malte de cevada claro, com quase nada de tosta; um lúpulo local maravilhoso, chamado Saaz; água mole (com baixa concentração de sais minerais); leveduras do tipo Lager e cavernas adequadas para fermentar a cerveja em baixas temperaturas. O resultado da receita foi uma revolucionária cerveja dourada e límpida, refrescante e delicada, com aroma floral e o sabor adocicado do malte.

Pode até parecer lenda, mas essa combinação aparentemente tão simples hoje responde pelo consumo de 90% das cervejas ao redor do mundo. Desde a invenção decisiva de Groll, o estilo Pilsner viajou mundo afora, ganhando novas versões. Hoje, estudiosos dividem essa família em três grandes subestilos:

Bohemian Pilsner
O estilo original, nascido em Pilsen. Cervejas deste grupo devem ser feitas com água muito mole, lúpulo Saaz, malte de cevada da Morávia e fermento tcheco. O aroma é suave, herbal e levemente condimentado. A carga de lúpulos equilibra o gostinho de pão e o adocicado do malte.

German Pilsner
A resposta alemã à invenção tcheca é uma cerveja mais clara, mais seca e com um amargor que tende a permanecer por mais tempo na boca. Essa persistência é explicada pela presença de lúpulos alemães (Hallertauer, Tettnanger e Spalt) e pela ação da água mais sulfurosa. O fermento também é alemão. Por tudo isso, o aroma fica mais floral e temperado.

American Lager
 Ao longo dos séculos, as receitas clássicas foram sendo adaptadas com ingredientes locais. Nos Estados Unidos e em muitos países da Europa, é comum o uso de cereais não maltados (adjunto de milho, por exemplo), que diminuem o corpo da cerveja e causam uma grande controvérsia. Repare que, neste caso, não usamos o nome Pilsen. Afinal, não seria justo colocarmos essas cervejas na mesma categoria das originais, citadas acima.

*André Vasquez e Marina Cavechia são sócios e curadores do clube de cerveja por assinatura Ohmybeer.com.br.

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