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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez seu discurso de despedida, às 20h desta terça-feira (10/1) (meia-noite, horário de Brasília), no Centro de Convenções McCormick Place, em Chicago, mesmo local onde começou a carreira política e constituiu a sua família. Obama falou do seu legado, tentou motivar aqueles que estão com medo do novo governo e, claro, alfinetou Donald Trump — sem citá-lo nominalmente.

Obama começou o discurso dizendo que a noite é para agradecer e fez um pequena retrospectiva da sua vida política. “Vim para Chicago quando estava no início da carreira, estava buscando um propósito da minha vida. Foi onde aprendi que a mudança só acontece quando as pessoas comuns se envolvem e se reúnem. Após oito anos como seu presidente, continuo acreditando nisso. Todos fomos criados iguais e recebemos certos direitos do nosso criador, entre eles, a vida e a capacidade de buscar a felicidade. Portanto, nós, por meio do instrumento da democracia, podemos formar uma união mais perfeita”, disse.

A partir daí, Obama passou a destacar alguns feitos durante a gestão de oito anos. “Se eu tivesse dito a vocês que, há oito anos, os EUA teriam começado o maior período de criação de empregos da história, que estaríamos abrindo o país ao povo cubano, que eliminaríamos o idealizador do 11 de setembro, que acabaríamos com o programa nuclear iraniano e que garantiríamos a saúde aos cidadãos, vocês, talvez, teriam dito que nossos objetivos eram grandes demais. No entanto, foi o que fizemos, foi o que vocês fizeram”, afirmou o presidente.

Sobre Donald Trump, Obama o citou apenas uma vez. Nesse momento, uma certa vaia foi ouvida, mas o presidente fez questão de não deixar que o barulho se propagasse. “Daqui a 10 dias, o mundo vai testemunhar a marca da democracia. A transferência pacífica de poder de um presidente eleito para outro presidente eleito. Estou comprometido com o presidente Trump, assim como Bush fez para mim, de realizar uma transição suave”, declarou.

Alfinetadas
Em seguida, sem citar qualquer programa ou ação do novo governo, Obama alfinetou o adversário ao falar de temas como a democracia, a questão racial e o terrorismo. “Depois da minha eleição, falava-se de uma América pós-racial. A raça permanece uma força forte de divisão. Já vivi o suficiente para ver que as relações raciais estão melhores que no passado. Mas, não estamos onde deveríamos estar, e todos temos trabalho a fazer. Se cada assunto econômico for visto entre uma luta da classe média branca e de minorias, se não tivermos condição de investir nos filhos de imigrantes, os trabalhadores vão lutar por migalhas, enquanto os ricos vão ficar em lugares privilegiados”, apontou.

Se definirmos uns mais americanos que os outros, enfraquecemos os laços. Quando analisamos os líderes que elegemos, sem examinar nosso papel na eleição, enfraquecemos os laços"
Barack Obama

O presidente dos Estados Unidos fez ainda um desafio em relação ao Obamacare, o projeto que garante atendimento em hospitais a grande parte dos norte-americanos. Segundo Obama, se alguém fizer algo melhor e com menor custo, ele vai “apoiar integralmente e publicamente”.

Obama citou ainda a situação das guerras, principalmente da Síria, e do Estado Islâmico. “Trabalhei para lutar contra o terrorismo, estabelecendo leis. Acabamos com a tortura, a espionagem está controlada. Protegemos americanos e islâmicos, que são tão patriotas quanto nós. Vamos ficar vigilantes, mas não temerosos”, declarou. O presidente lembrou ainda dos vários ataques que os Estados Unidos enfrentaram, como em Orlando.

Emoção
Próximo ao fim do discurso, Obama se dirigiu à mulher, Michelle, e se emocionou. “Nos últimos 25 anos, você não foi apenas minha esposa, foi minha melhor amiga. Você assumiu um papel que não pediu e o abraçou com graça, garra, estilo e bom-humor. Você tornou a Casa Branca em um local que pertence a todos. Uma nova geração te vê como modelo. Você me deixou muito orgulhoso e deixou esse país muito orgulhoso”, disse.

Além de Michelle, o presidente falou ainda de Sasha e Malia, as filhas do casal. “Vocês se tornaram duas jovens mais bonitas, bondosas, cheias de paixão e consideração. E assumiram o preço de ficarem na ribalta esses anos. Tenho maior orgulho de ser o pai de vocês”, apontou.

Em referência a Joe Biden, Obama disse que o vice-presidente deixou de ser apenas um amigo e se tornou um irmão. “Sua amizade tem sido uma das melhores coisas de nossas vidas. Você foi a minha primeira e melhor decisão política”, afirmou.

Obama terminou com a clássica frase que o elegeu: “Sim, nós podemos”. “Saio daqui hoje mais otimista em relação a esse país, porque sei que nosso trabalho inspirou muitos americanos, especialmente muitos jovens. Vocês acreditam em um EUA justo, inclusivo. Mudanças constantes são a marca dos Estados Unidos. Vocês estão prontos a levar esse trabalho árduo para frente. O futuro está em boas mãos. Tem sido uma honra servi-los, não vou parar, vou estar como cidadão. Vou pedir o mesmo que pedi na candidatura, nessa crença: sim, nós podemos, nós fizemos. Que Deus os abençoe”, concluiu.

 

 

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