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A coluna quinzenal de discos internacionais retorna com novidades de grandes artistas contemporâneos. Começamos pelo novo álbum da veterana banda de rock independente Dinosaur Jr., “Give a Glimpse of What Yer Not”.

Em seguida, comentamos o mais recente trabalho de Frank Ocean, “Blonde”, um afetuoso disco que renova o R&B quatro anos após a obra-prima “Channel Orange” (2012). Por fim, voltamos ao rock para falar sobre “Acoustic Recordings – 1998-2016”, coletânea acústica de Jack White (foto no alto) e de músicas da The White Stripes.

Reprodução/Facebook

Dinosaur Jr. – “Give a Glimpse of What Yer Not”
J Mascis (à esquerda) segue resiliente à frente de uma banda que passou por quase tudo desde que começou, na metade da década de 1980: de saída de integrantes até o fim temporário que durou oito anos. “Give a Glimpse” já é o quarto disco da atual formação.

E o trabalho é capaz de manter as características que fazem da Dinosaur Jr. uma banda um tanto atemporal dentro do rock independente: guitarras distorcidas, letras melancólicas e uma atmosfera sonora que junta energias das décadas de 70 e 90. Nesse sentido, o CD é mais um revival do que um passo adiante. Ainda assim, é difícil não ser fisgado pelas inspiradas “Be a Part” e “I Walk for Miles”.

Avaliação: Bom

 

Reprodução/Tumblr

Frank Ocean – “Blonde”
Quatro anos após o belíssimo “Channel Orange”, talvez o melhor disco (disparado) de 2012, Frank Ocean retorna com um R&B mais livre e espontâneo – mas ainda autorreflexivo à beça. Não espere, portanto, refrões fáceis ou melodias assobiáveis.

Mesmo assim, ele consegue criar um genuíno disco de música pop a partir de seu próprio universo pessoal e de influências cristalinas e confessas (Beach Boys e Beatles) e outras sentidas ao longo das canções (Elliott Smith, Big Star). Ocean experimenta tanto que sua música beira o inclassificável em termos de gênero musical. Um artista capaz de olhar para si e dobrar rótulos.

Avaliação: Ótimo

 

Reprodução/Facebook

Jack White – “Acoustic Recordings 1998-2016”
O guitarrista mostra sua faceta acústica nesta longa coletânea de carreira. Misturam-se aqui rearranjos de músicas do White Stripes e algumas faixas solo que o compositor mostrou em “Lazaretto” (2012) e “Blunderbuss” (2014), além de duas do The Raconteurs, a outra banda de White à época dos Stripes.

Recomendada para completistas, a coleção serve como objeto curioso para quem deseja retornar aos Stripes sem recorrer aos discos originais. Nota-se que a verve acústica e folk já batia ponto lá atrás, mesmo nas digressões roqueiras mais blueseiras.

Em outros momentos, o repertório revela meras versões leves e cruas de músicas conhecidas (“Apple Blossom”, “You’ve Got Her in Your Pocket”). Para quem busca novidade, vale atentar para “City Lights”, inédita dos Stripes.

Avaliação: Bom

 

 

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