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Morten Harket e banda subiram ao palco do Net Live Brasília às 21h47 desta terça-feira feira (6/10), não muito depois de uma aguardada chuva ter amaciado a aridez do cerrado. Abriram os trabalhos, conforme o esperado, por “I’ve been losing you”, faixa do LP “Scoundrel days”.

Mais adiante entraria o também hit oitentista “Cry wolf”. Estava desenhada pelo A-Ha uma curva crescente de emoção que logo arrebentaria em “Stay on these roads”. Esse clássico da nostalgia radiofônica arrebatou de imediato a plateia que lotava a casa noturna. Dali em frente, foi apenas questão de os seis músicos envolvidos (guitarra, baixo, bateria e um par de teclados) manterem a empatia conquistada.

Visita constante dos palcos brasileiros desde os idos de 1989, Harket se apresentava então pela terceira vez na capital federal. Depois de concertos no Mané Garrincha (1991) e no Nilson Nelson (2010), agora o A-Ha enfim jogava mais pertinho da galera. Um público majoritariamente trintão e quarentão, vestindo camisetas aleatórias de Simply Red a Kiss, infiltrado por centenas de novinhos, de Budweiser à mão, que só devem conhecer “The living daylights” das vitrolas maternas.

Pelo menos desta vez a voz de Harket não falhou, ao contrário do infortúnio da última visita. Assim todos puderam voltar para suas casas levando uma bem digna impressão do experiente popstar, mesmo que seu vocal já não alcance mais aqueles agudos de antigas FMs. (Harket ainda cabe à perfeição em tons médios de baladinhas à “Crying in the rain”, dos ancestrais Everly Brothers, e tecnopops românticos tipo “Hunting high and low”.)

Com disco saindo do forno há exatamente um mês, a banda inevitavelmente arriscou duas ou três canções deste recentíssimo “Cast in steel”. A faixa título, por exemplo, foi o segundo número da noite, revelando logo de saída que o A-Ha estava disposto a promover algumas (discretas) alterações no set list executado na gigantesca arena do Rock In Rio, semana passada, com transmissão ao vivo para fãs do país inteiro.

Harket e seus comparsas sabem muito bem que sua popularidade ainda se deve ao repertório oitentão. E mesmo as novidades desta safra 2015 emulam os arranjos sintetizados de outrora. Perfeitamente cientes de seu ofício e de suas atribuições, os músicos trataram de desenferrujar seu synth pop ao longo de hora e meia de apresentação. Sem alarmes, nem surpresas. No grande final, opa, “Take on me”.

 

 

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A-ha
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