Primeira sessão competitiva do Festival de Brasília movimenta o Cine Brasília
Entre a fantasia e o terror, os filmes que abriram a mostra competitiva apresentaram diferentes visões sobre o mesmo tema
atualizado
Compartilhar notícia

Histórias sobre a infância e suas incertezas permearam os três primeiros filmes exibidos na mostra competitiva do 48° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Na noite desta quarta (16/9), os curtas “Command Action” e “À Parte do Inferno” e o longa “A Família Dionti” transitaram por diferentes tonalidades.
Bastante aplaudido ao final da sessão, “A Família Dionti” parece ter conquistado o público com sua sensibilidade. A história se passa na zona rural mineira e ilustra sonhos e desilusões da infância por meio de dois garotos. O mais novo, Kelton, é encantado por histórias fantásticas. Esse interesse se intensifica quando ele conhece Sofia, uma nova colega da escola. Ela é de família circense e se enche de orgulho ao contar causos absurdos e mágicos sobre artistas do picadeiro.Noite de fábulas
Alan Minas subiu ao palco para apresentar o longa da noite, “A Família Dionti” (RJ). “A gente construiu um universo de ficção dentro do sertão mineiro. Trouxe o sotaque das pessoas. Passamos seis meses ensaiando com os meninos. Encontrei muita força e riqueza naquele lugar, com baixíssimo orçamento”, contou o cineasta.
Ambientando numa feira popular, “Command Action” traz roteiro enxuto e narrativa conduzida pela esperta composição sonora. Um garoto simples deseja o robô que dá título ao filme, vendido numa das bancas. O alarido do lugar e a intensidade visual emprestada a passagens cotidianas entortam o realismo e impõem mistério às ações. “Foi rodado no interior de São Paulo por meio de um coletivo e de trabalho voluntário”, disse João Paulo Miranda Maria, diretor estreante no festival.
A infância ganha ar amedrontador em “À Parte do Inferno”. Num subúrbio de classe média, um garotinho vê uma vazamento colorir a parede atrás de seu guarda-roupa. A mancha cresce enquanto, lá fora, moradores de rua comportam-se como seres abduzidos: estáticos, eles encaram o portão da casa. A tensão social entre rua x residência abastece a trama.
Foto: Maíra de Deus Brito/Metrópoles
