Frieza das metrópoles inspira longa concorrente do Festival de Brasília

Na ficção “Fome”, o diretor gaúcho Cristiano Burlan mostra as angústias de homem que tenta deixar o passado para trás

atualizado

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Fome por Felipe Martins
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Se a estreia da mostra competitiva do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ontem (16/9), foi marcada pelo realismo fantástico de “A Família Dionti” (RJ), a segunda noite traz a frieza das ruas das metrópoles. Em “Fome” (SP, foto) o cineasta gaúcho Cristiano Burlan usa fotografia em preto e branco para acompanhar seu protagonista, um homem solitário que perambula por uma grande cidade levando apenas um carrinho e alguns trapos.

O gaúcho Burlan volta a filmar  em São Paulo, cidade-cenário de outros de seus títulos (“Hamlet”, “Mataram Meu Irmão” e “Construção”). “Fome” foi rodado durante seis dias, principalmente no centro da capital paulista, entre o Edifício Copan e a Praça da Sé. Também foram usadas como locação o Largo da Batata, em Pinheiros e no minhocão.

Vencedor do Festival É Tudo Verdade de 2013 com “Mataram Meu Irmão”, o cineasta retoma a parceria com o ator, roteirista e teórico de cinema Jean-Claude Bernardet. Os dois trabalharam juntos anteriormente, na ficção “Hamlet” (2014). Bernardet, que passou pela tela do Cine Brasília no festival do ano passado (contracenando com Everaldo Pontes no longa “Pingo d’Água”, de Taciano Valério), volta agora na pele do protagonista de “Fome”.

Assista ao trailer de “Fome”

Suspense e drama
A sessão da noite tem início com o curta-metragem “Tarântula” (PR), de Aly Muritiba e Marja Calafange. Selecionada para festivais em Vitória (ES), Bristol (Reino Unido), Veneza (Itália) e Biarritz (França), a produção transita entre o suspense e o drama. No enredo, a história de uma família religiosa que tem a vida transformada com uma visita inesperada e surpreendente.

Na sequência, o público verá “Rapsódia para o Homem Negro” (MG). A ficção de Gabriel Martins é contemporânea e extremamente ligada à realidade brasileira. O diretor narra a vida de Odé, homem negro que tem o irmão, Luiz, espancado até a morte durante um conflito numa ocupação em Belo Horizonte. A partir desse episódio, o filme reflete sobre as relações políticas e raciais, e sobre as questões de urbanização no Brasil.

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