Festival de Brasília ganha fôlego na segunda noite de mostra competitiva
Nesta quinta (17), “Rapsódia para o Homem Negro” e “Fome” deram tom político à sessão, enquanto “Tarântula” exibiu trama de horror na tela do Cine Brasília
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Uma atmosfera de intenso debate político tomou conta do segundo dia de competição do 48° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Na tarde desta quinta (17), primeiro dia da Mostra Brasília, um protesto conduzido pelo Movimento Passe Livre ocorreu durante a apresentação do curta “Setor Complementar”, de Tiago Rocha. A agitação política se estendeu para os filmes selecionados para a sessão noturna.
A noite começou com mais um curta de terror. Se ontem o público ficou apreensivo diante de “À Parte do Inferno”, hoje foi a vez de “Tarântula” tirar o fôlego da plateia. Com rastros documentais, os dois filmes seguintes condensaram um forte debate social sobre miséria, racismo e exclusão.
“Rapsódia para o Homem Negro” narra o sofrimento de um jovem que perdeu o irmão, assassinado. No longa “Fome”, rodado em preto e branco, o teórico e ator Jean-Claude Bernardet interpreta um morador de rua que caminha pelo centro de São Paulo. Ao ser entrevistado por uma estudante para um trabalho universitário, levantam-se questões como o isolamento na metrópole e o próprio cinema brasileiro.
A cerimônia
Representando o curta paranaense “Tarântula”, o diretor Aly Muritiba dedicou o filme a todos que fazem cinema no estado do Paraná. “É muito mais gana do que grana”, disse Muritiba, sobre a dificuldade de se produzir no estado. Codirigido por Marja Calafange, o curta abriu a mostra competitiva. “Tenho um respeito e um carinho muito grande pelo Festival, principalmente por causa do público, que assiste às sessões com muita vontade e senso crítico. Funciona como um ótimo termômetro para o filme”, finalizou o diretor.
A equipe de “Rapsódia para o Homem Negro” agradeceu ao festival por participar do evento, pois o filme só conseguiu ser feito graças a um edital mineiro que contempla produções de baixo orçamento. “Quero dedicar essa sessão às ocupações da Isidoro”, disse o diretor Gabriel Martins. O curta mostra a história de um jovem negro que é assassinado numa ocupação em Belo Horizonte. Apesar de ser uma ficção, a produção tem conexão com a realidade e reflete sobre as questões raciais e de urbanização no Brasil.
A equipe do longa da noite, o paulistano “Fome”, foi ao palco ser recepcionada pelo público do Cine Brasília. O filme foi rodado com um orçamento de apenas R$ 15 mil. Jean-Claude Bernardet, figura sempre presente no festival, esteve ano passado com Pingo d’Água e desta vez estrela este título paulista. “Desde os anos 20, na história do cinema mundial, se anda. Andar é uma ação essencial do cinema. Com esse filme, entro nessa tradição”, disse o ator e crítico, descrevendo seu personagem.
Foto: Bruno Pimentel/Metrópoles
