Equipe de “Big Jato” sai em defesa de Cláudio Assis

Apesar da vaia e dos protestos durante a exibição do filme, na noite de sábado (19/9), a polêmica passou longe do debate em torno do longa, realizado no domingo (21/9)

atualizado

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A mais recente polêmica do Festival de Brasília não durou um par de horas. Recebido com vaias pela plateia do Cine Brasília na noite de sábado (19/9), o cineasta Cláudio Assis já tinha virado o jogo ali mesmo, com a boa recepção de “Big Jato”, muito aplaudido ao fim da sessão. Na tarde deste domingo (20/9), então, quando a equipe do longa-metragem pernambucano se reuniu para um protocolar debate no Kubitschek Plaza, essa questão foi rapidamente superada.

Vale lembrar que as vaias de Cláudio Assis foram importadas de uma confusão que o cineasta causou em Recife, no mês passado, quando se referiu de maneira grosseira à diretora Anna Muylaerte e à atriz Regina Casé, durante um debate em torno do filme “Que Horas Ela Volta?”.

O caso repercutiu nas redes sociais e voltou para cima de Assis no sábado. Chamado de “machista” em coro, assim que subiu ao palco do Cine Brasília, ele bem tentou se defender na mesma hora, mas as vaias insistentes não permitiram que fosse ouvido.

Logo na abertura do debate sobre “Big Jato”, a mediadora Maria do Rosário Caetano tentou blindar Cláudio Assis ao pedir que as perguntas se restringissem ao filme exibido. Tal iniciativa durou apenas alguns minutos. A segunda questão levantada pela audiência, formada basicamente por jornalistas e membros da classe cinematográfica, já pedia que Assis comentasse sobre a presença feminina em sua obra.

“Não venham atirar pedras em mim, não, estão atirando pedras na pessoa errada”, Cláudio Assis pôde, enfim, defender-se. “Eu faço um cinema plugado no social. O que essas pessoas pensam estar denunciando, ao atirarem pedras em mim, eu próprio já denuncio em meus filmes. Na vida tem que ter respeito. No cinema também. Estou aqui já faz um tempo, fazendo um trabalho sério em cima dessa realidade social que está aí.”

Mais conhecido pelos longas “Amarelo Manga” (2002), “Baixio das Bestas” (2007) e “Febre do Rato” (2011), Cláudio Assis lembrou que seu primeiro curta-metragem, “Padre Henrique” (1987), foi um documentário a respeito de um religioso, ajudante direto de Dom Helder Câmara, violentamente morto durante a ditadura militar, em maio de 1969, aos 28 anos. O personagem principal daquele filme, frisou o diretor, era justamente a mãe de Padre Henrique, expondo todo seu sofrimento.

Nudez com respeito
Ao longo do debate, membros da equipe de “Big Jato” eventualmente saíam em defesa de Assis. Pally Siqueira, artista plástica pernambucana de 23 anos, faz seu primeiro trabalho como atriz profissional neste longa-metragem. Ela aparece nua em um par de cenas, e aproveitou para deixar claro o quanto Assis foi “um verdadeiro pai” durante as filmagens.

“Quando falei que eu ia fazer um teste para o novo filme do Cláudio Assis, meus amigos ficaram impressionados e perguntaram se eu tinha certeza que queria isso mesmo”, admitiu Pally Siqueira, rindo. “Era exatamente isso que eu queria e Cláudio sempre foi totalmente respeitoso comigo. Vocês não sabem a delicadeza que ele teve durante as filmagens, esvaziando o set para essas cenas, desligando os monitores de vídeo e deixando apenas uma equipe mínima composta basicamente por mulheres.”

Nesse sentido, Hilton Lacerda também tomou a palavra. Parceiro antigo de Assis e co-roteirista de “Big Jato”, ao lado de Ana Carolina Francisco, Lacerda questionou o moralismo que cenas de teor sexual costumam despertar. “Este moralismo tem a ver apenas com o corpo”, ele acredita. “As mesmas pessoas que se ofendem com uma cena de nudez, acham normal uma cena de um garoto de 12 anos dando um tiro na cabeça de alguém, porque esse é o aspecto da realidade que eles querem denunciar. Acham normal também publicidades com crianças para vender telefone celular.”

Matheus Nachtergaele, ator de “Big Jato”, já apaziguara os ânimos na véspera, ao tomar o microfone de Cláudio Assis durante as vaias no Cine Brasília e acalmar a plateia. Desta vez, durante o debate, outro membro do elenco resolveu contornar a polêmica emprestando à questão um pouco de humor.

“Essa vaia de ontem foi uma vaia fajuta, uma vainha”, brincou o cantor e compositor Jards Macalé, que eventualmente se arrisca como ator. “Vaia mesmo foi aquela que eu tomei em 1979, num Maracanazinho lotado por milhares de pessoas durante o Festival Internacional da Canção. Aquilo sim foi uma vaia de verdade.”

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