Em “A Colina Escarlate”, Del Toro constrói um melodrama com fantasmas

Uma das estreias desta quinta (15/10), novo filme do diretor mexicano narra o sofrimento de uma jovem recém-casada numa gélida mansão regida por sua infernal cunhada

atualizado

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Universal Pictures/Divulgação
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1 de 1 Universal Pictures/Divulgação - Foto: Universal Pictures/Divulgação

Parte do culto à obra de Guillermo del Toro vem do fascínio do diretor por criaturas sobrenaturais. Na visão do cineasta, elas causam espanto e asco, mas ganham aura de fábula. Basta lembrar do demônio “do bem” de “Hellboy”, do fantasma que ajuda um órfão em “A Espinha do Diabo” (2001) ou do ser que elege uma garotinha como princesa em “O Labirinto do Fauno” (2006). “A Colina Escarlate” é mais um longa em que a maldade vem do homem – e não de quem habita o além.

Coloridos por uma fotografia de motivos azuis e vermelhos, os cenários deslumbrantes criados por Del Toro se situam no fim do século 19. Vinda de família rica, a jovem Edith Cushing (Mia Wasikowska) almeja a carreira de escritora. Seu primeiro manuscrito, como ela gosta de explicar, não conta uma história de fantasma, mas com fantasmas.

Como é de se esperar num filme de Del Toro, a tragédia chega cedo. Ainda menina, Edith perdeu a mãe. A morte do pai, Carter (Jim Beaver), acontece anos depois, quando um inglês misterioso, com pinta de inventor, aparece na cidade. Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), sempre em ternos escuros, veio com a irmã, Lucille (Jessica Chastain), à América, e tenta vender um de seus experimentos a Carter. Apesar do insucesso nos negócios, ele conquista o coração de Edith. Quando, então, falece o patriarca.

Um melodrama gótico – e com fantasmas
No primeiro plano (foto no topo) de “A Colina Escarlate”, Edith é vista num vestido branco cercada de neve. Uma narração em off diz: “fantasmas são reais”. Se o espírito da mãe já aparecia para a garota nos Estados Unidos, entidades do lado de lá surgem com ainda mais frequência quando ela se muda com Sharpe para a Inglaterra.

Ela é engolida por uma mansão digna do pior pesadelo. Erguida sobre uma mina de argila escarlate, a casa parece afundar na montanha, com os estalos e rangidos já esperados de uma residência de filme de terror. Os fantasmas que Edith passa a ver circulando pela casa são apenas o começo do martírio: Lucille é mais fria e cortante do que a pior tempestade de gelo. Os espíritos soprarão um segredo perverso nos ouvidos da jovem escritora.

A intenção de Del Toro não é só rodar um horror clássico, à moda antiga, mas desenhar um melodrama de superfície gótica, em que os vivos parecem confundir amor e dor a todo instante. Aqui e ali, o diretor estranhamente se trai, apegando-se a sustinhos fajutos e alardeados pela trilha sonora. Mas o que se sobressai em “A Colina Escarlate”, para além mesmo do próprio sofrimento humano ou do gélido terror, é o design memorável.

Avaliação: Bom

Veja horários e salas de “A Colina Escarlate”.

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