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Aos 58 anos, Tim Burton ainda consegue impor suas crônicas suburbanas e esquisitices surreais em praticamente todos os projetos que dirige. Mas, de uns tempos para cá, o cineasta, sempre chamado de “visionário” nos pôsteres e trailers dos filmes, vive uma crise criativa. Seus longas têm soado relaxados, repetitivos, mornos. Não é diferente em “O Lar das Crianças Peculiares”, adaptação do livro homônimo do jovem escritor Ransom Riggs, publicado em 2011.

Em termos simples, é o X-Men de Burton. O tal orfanato abriga crianças com talentos especiais, sob os cuidados de Miss Peregrine (Eva Green). Emma (Ella Purnell) pesa menos do que o vento e precisa usar sapatos de chumbo para caminhar. Uma menininha tem a força de dez homens, um garotinho consegue mostrar seus sonhos como se fosse um projetor de cinema. Nada que impressione o Professor X.

Com o tipo de narrativa messiânica que marca a maioria das fantasias ocidentais, o filme é conduzido pelo olhar de Jake (Asa Butterfield), um adolescente que cresceu escutando causos bizarros do avô (Terence Stamp). O menino segue pistas deixadas por ele e descobre, numa ilha do País de Gales, a mansão de que tanto ouviu falar nas histórias. O lugar foi destruído na Segunda Guerra Mundial. Mas uma fenda temporal transfere Jake para 1943.

Uma fantasia sem encanto e carisma
Burton encontra um potencial imenso para explorar. As crianças especiais não envelhecem: vivem num limbo possibilitado pela magia, mas precisam se proteger dos etéreos, monstros invisíveis de braços e pernas longos que comem olhos de peculiares para tentar recuperar a forma humana. Barron (Samuel L. Jackson) lidera os caçadores de criancinhas. Ao menos no papel, o conceito parece combinar naturalmente com as disposições do autor.

Mas o que se nota no projeto é um artista sem ambições. Burton entrega o que se espera de um filme como esse. Apresenta os poderes dos seres especiais, flagra as descobertas do personagem principal e estabelece os conflitos com os inimigos. Em outros filmes do diretor, certas cenas provocariam deslumbramento ou horror. Aqui, parecem pouco plásticas e nada alegóricas.

Burton também nunca pareceu um diretor de atores tão relapso. Eva Green faz a gótica de sempre, Jackson bate ponto como vilão e o resto do elenco mal parece estar num filme de fantasia – sobretudo Butterfield, um protagonista irritante de tão inexpressivo. Se alguém achava que o diretor não poderia piorar depois de “Grandes Olhos” (2014) e “Sombras da Noite” (2012), aí está a prova.

Avaliação: Ruim

Veja horários e salas de “O Lar das Crianças Peculiares”.

 

 

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