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O decreto assinado pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB), determinando punições como corte de ponto e abertura de processo administrativo, colocou lenha no movimento pró-paralisação dos servidores do governo local. Em assembleia unificada nesta sexta-feira (7/10), na Praça do Buriti, e embalados por paródias e muitos carros de som, os servidores protestam pelo reajuste. Eles tomaram as vias do Eixo Monumental em frente à sede do Executivo e interromperam o trânsito no sentido Memorial JK por 20 minutos. Depois, o trânsito foi liberado.

As categorias cruzaram os braços por 24 horas e prometem repetir o ato no próximo dia 26.Segundo a Polícia Militar, cerca de 500 servidores estão no local no momento. Para a categoria, a publicação do decreto é ilegal, uma vez que a Constituição estabelece o direito de greve no serviço público.

A principal reivindicação dos funcionários é o pagamento da última parcela do reajuste salarial, previsto para o ano passado e transferido para este ano, em promessa feita GDF.

O aumento, entretanto, não é a única reivindicação. “Estamos com o pagamento das horas extras atrasado desde maio. Além disso, há frequentemente falta de materiais na rede e os contratos de manutenção estão vencidos”, relata o condutor do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) Ronaldo Macário.

Decreto
Enquanto os servidores protestavam do lado de fora, dentro o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, concedia entrevista para explicar os detalhes do decreto. “Serve para avisar a todos as regras do jogo. Quanto às punições, elas só ocorrerão caso sejam comprovadas irregularidades, como colocar em risco a vida da população. Nesses casos, serão abertos procedimentos administrativos previstos em lei”, esclareceu.

Quanto à previsão do pagamento de reajuste, Sampaio manteve o mistério no ar. “Até o final da próxima semana teremos o fechamento da folha de pagamento dos servidores. Estamos correndo atrás, mas é preciso deixar claro que fizemos das tripas coração só para dar os salários deste mês. Para pagar a folha salarial temos de abrir mão de outros contratos”, afirmou.

O secretário de Saúde, Humberto Fonseca, também participou da entrevista. De acordo com ele, “no próximo mês faremos o pagamento das horas extras de maio em junho. Quanto aos esforços para manter salários em dia, é preciso entender que o aumento na folha salarial pode afetar outros investimentos, como em materiais e equipamentos. Buscamos o equilíbrio”.

Assembleia 
O sol forte contribuiu para o clima quente da assembleia. O discurso mais acalorado foi o da presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde), Marli Rodrigues, que chamou por várias vezes o governador do DF de “incompetente”.

Para o vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (Sindate), Jorge Vianna, as chances de greve são grandes. “Na última reunião já decidimos pela paralisação de 24 horas hoje. Caso nada seja acordado, pararemos também no dia 17 e, se ainda assim não houver decisão, uma greve geral será iniciada no dia 24”, afirmou.

Outras categorias, além da saúde, marcaram presença na assembleia. Os agentes penitenciários, por exemplo, exigiam aumento no número de servidores. “Por mês, entram cerca de 120 presos nas unidades. É impossível garantir a integridade dos apenados, dos servidores e das famílias. Eles (o governo) alegam problema de responsabilidade fiscal para não contratar. Mas o sistema não sobrevive sem pessoal”, disse o presidente do Sindicato dos Agentes de Atividades Penitenciárias, Leandro Allan.

Caso os acordos não sejam cumpridos, os agentes do Departamento de Trânsito (Detran) também devem suspender as atividades. “É preciso reagir ao descumprimento do acordo feito no ano passado”, defende Fábio Medeiros, presidente do Sindicato dos Servidores do Detran (Sindetran). A categoria tem uma paralisação marcada para o dia 18 de outubro.

 

 

 

 

 

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