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A CPI da Saúde quer ouvir o médico e empresário Mouhamad Moustafa, preso pela Polícia Federal na Operação Maus Caminhos. Acusado de liderar um esquema criminoso que teria desviado recursos públicos da saúde amazonense, ele planejava trazer suas organizações sociais (OSs) para gerir unidades hospitalares no DF. Dono de aviões e carros de luxo, ele investiu pesado na campanha do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) em 2014, quando três de suas entidades doaram um total de R$ 600 mil à corrida eleitoral do socialista.

A convocação do empresário foi aprovada pela comissão nesta quinta-feira (29/9) na Câmara Legislativa. A data ainda não foi confirmada, já que depende do futuro da situação de Moustafa, que está preso. “O empresário entrou na nossa mira pois contribuiu para a  campanha do governador e mostra intimidade no governo. Ele precisa responder se ele tinha alguma expectativa de receber algo em troca”, explicou o deputado Wasny de Roure (PT), integrante da CPI.

Na reunião desta quinta, os deputados distritais ouviram o ex-coordenador do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) Rodrigo Caselli. Ele foi se explicar sobre acusações de teria autorizado a reforma e compra de material para o Samu sem prévia autorização legal, beneficiando empresas.

Segundo o presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Saúde (Sindate), João Cardoso, em depoimento à CPI em junho, Caselli teria enriquecido ilicitamente enquanto estava à frente do Samu. Ele foi se explicar sobre acusações de teria autorizado a reforma e compra de material para o Samu sem prévia autorização legal, beneficiando empresas.

Caselli explicou que a obra foi feita pela imobiliária dona do prédio e que estava prevista em contrato. Sobre o conserto de ambulâncias acidentadas, sem a devida perícia, o ex-coordenador afirmou que há um entendimento que os carros devem voltar a circular o quanto antes, para não prejudicar o atendimento à população.

O depoente disse que essa denúncia já havia sido levada por outra pessoa ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e não era nova. Ele afirmou que o próprio MP não encontrou consistência na história.

Sem autonomia
O médico trouxe em sua defesa avaliações de sua gestão realizadas no início de 2014 por órgãos de controle. “O Samu não tem autonomia para assinar contratos, não somos ordenadores de despesas. O cargo de gestor me responsabilizava pela checagem das necessidades do serviço. Todos os contratos são subordinados à Secretaria de Saúde do Distrito Federal”.

Segundo Caselli, durante sua gestão o contrato estabelecido com a empresa Inova era para que equipamentos de comunicação fossem instalados em unidades móveis e nos hospitais. “Não houve desvio desse repasse para reforma de prédio nem de elevadores.

Os elevadores possuem contratos próprios. Esses dados podem ser comprovados pelo relatório da Corregedoria Geral da União (CGU) realizado também em 2014″.  O ex-coordenador do Samu justificou, ainda, que todos os processos relativos à Inova, MI Comércio de Produtos Hospitalares e outras são acompanhados por meio de notas fiscais e comprovantes.

 

 

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