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Ao menos 11 antibióticos não têm chegado à Farmácia Central, responsável por abastecer as unidades de saúde pública do Distrito Federal. Segundo profissionais da área, em 24 de abril foi distribuída uma lista orientando os médicos a não iniciar tratamentos com os remédios relacionados.

Na lista, obtida pelo Metrópoles, estão medicamentos usados para combater diversas doenças causadas por bactérias, como meningite, pneumonia, gonorreia, apendicite e osteomielite, entre outras infecções graves.

Embora o documento registre o dia 24 de abril como data da última atualização, a situação não mudou desde então, segundo relato de profissionais ao Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (SindSaúde-DF). “É uma situação recorrente e extremamente preocupante, pois causa risco aos pacientes. Vamos acionar a Justiça para exigir mudanças”, promete a presidente da instituição, Marli Rodrigues.

O Sindicato dos Médicos local (Sindmédico-DF) confirma a situação. “Temos recebido, com frequência, informação de falta de medicamentos em hospitais e centros de saúde. É um problema que já dura anos, mas sem solução definitiva”, informou a entidade, por meio de nota.

Reprodução

Lista dos medicamentos em falta é distribuída em hospitais da rede pública

 

Outro lado
Procurada para comentar o caso, a Secretaria de Saúde (SES) informou que “já comprou azitromicina e o prazo de entrega está dentro do cronograma previsto: até 26 de junho. Os medicamentos meropenem e cefepime estão com processo de compra regular na última etapa, na fase de empenho. A previsão é de que em até 30 dias eles estejam disponíveis na rede”.

Ainda de acordo com a pasta, “vancomicina, ciprofloxacino e piperacilina + tazobactam (este é um medicamento único) estão em falta por fracasso na licitação, por questões relacionadas ao preço. A Secretaria de Saúde já iniciou a compra emergencial para garantir a distribuição destes medicamentos”.

Já sobre a micafungina, a SES disse que, embora o composto esteja em falta, há um substituto disponível na rede. “Os pacientes que fazem uso desse medicamento devem procurar o profissional que os assiste para verificar a possibilidade da substituição”, orientou.

Por fim, diz a pasta, “tigeciclina, amicacina, ampicilina e cefotaxima estão em falta na rede e com processo de compra regular em andamento”.

Carência generalizada
Os problemas nas unidades de saúde são rotina na capital federal. Em 1º de fevereiro, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) divulgou um relatório produzido em conjunto com seis conselhos profissionais no qual é apontado um cenário bem conhecido pela população: caos generalizado.

A lista apresentada pelos órgãos incluem superlotação, problemas estruturais nas instalações, falta de medicamentos, de leitos, de profissionais, equipamentos quebrados e risco de infecções.

Ao longo de sete meses, promotores e entidades verificaram os problemas que pacientes, médicos e enfermeiros veem diariamente em oito das principais unidades de saúde do DF. Passados quase quatro meses desde a divulgação do documento, a situação é a mesma nos hospitais públicos locais.

 

 

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