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Agentes da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) prenderam três nigerianos acusados de “estelionato amoroso” contra pelo menos 11 mulheres brasilienses desde 2013. Apenas uma delas perdeu R$ 600 mil, depositados na conta de um dos acusados. As vítimas eram escolhidas nas redes sociais ou em aplicativos de namoro virtual. Antes de aplicar os golpes, eles mantinham um relacionamento virtual com as mulheres e faziam promessas de noivado e até casamento.

Para convencê-las a depositar dinheiro na conta deles, os Don Juans nigerianos prometiam enviar remessas em dólares para, por exemplo, comprar apartamentos em áreas nobres do DF, onde morariam após a união. O dinheiro repassado pelas vítimas seria utilizado para facilitar a transferência da parte deles no negócio. Eles se apresentavam com identidades falsas, usavam fotos de “bonitões”, se passando por altos militares dos Estados Unidos, da Irlanda e outros países.

“Em muitos casos, os criminosos, após ganharem a confiança das vítimas, avisavam que estavam mandando presentes e pediam que elas pagassem guias para poder retirá-los”, explicou a delegada Sandra Melo, da Deam. Para facilitar o golpe, a organização criminosa dividia as tarefas, fazendo com que as vítimas não percebessem o crime. Essa medida dificultou o trabalho de apuração da Polícia Civil. Além dos três detidos, outras 13 pessoas estão sendo investigadas.

No material apreendido pela polícia, foram encontrados depósitos, comprovantes de transferências e até um manual de como aplicar o golpe, com o perfil das vítimas. A prática é mundialmente conhecida por “419 scams”.

As prisões ocorreram em São Paulo. De acordo com informações da Polícia Civil, a investigação teve início em 2013 quando uma mulher registrou ocorrência informando ter sido vítima enganada, após se relacionar com um homem que conheceu no Facebook.

Segundo a vítima, o suspeito teria se identificado como cidadão irlandês. A mulher havia depositado a quantia de R$ 3 mil na conta dele por uma encomenda que nunca chegou. Outra vítima envolvida perdeu R$ 600 mil no golpe. Desse valor, R$ 400 mil não foram recuperados e outros R$ 200 mil estão bloqueados pelo banco.

Em outro caso, a PCDF identificou 50 depósitos de diferentes valores na conta de um dos investigados. Os repasses foram feitos em um período de três meses. Segundo a delegada, as vítimas são mulheres fragilizadas, carentes de relacionamentos.

 

“Não podemos culpá-las por caírem no golpe. Mas fica o alerta. Antes de uma pessoa enveredar para um relacionamento mais sério, deve buscar, primeiro, conhecer a pessoa, visitá-la.”"
Sandra Melo, delegada da Deam-DF

A polícia informou que, após providências judiciais para a identificação dos autores, chegou-se a uma verdadeira rede composta por outros nigerianos que se especializaram em aplicar o chamado golpe do “estelionato amoroso”, que já fez várias vítimas no Brasil e no mundo.

O grupo será indiciado por estelionato e organização criminosa. Além disso, um dos investigados vai responder por lavagem de dinheiro

 

 

 

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